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sábado, janeiro 10, 2009

Cristianismo Pagão - Ultima Parte

DÍZIMO E SALÁRIOS DO CLERO:
UM PESO NA CARTEIRA


Há dízimo na Bíblia? Sim, o dízimo é bíblico. Mas não é cristão. O dízimo pertence à velha Israel. Foi essencialmente um imposto de renda. No primeiro século, no NT, não há registro de cristãos dizimando.
A maioria dos cristãos não tem a menor idéia do que ensina a Bíblia no que se refere ao dízimo. Senão vejamos. A palavra “dízimo” simplesmente quer dizer a décima parte. .

O Senhor instituiu três classes de dízimos para os Israelitas como parte de seu sistema de impostos. A saber:
Um dízimo do produto da terra para sustentar os levitas, que não tinham herança em Canaã.
Um dízimo do produto da terra para patrocinar festas religiosas em Jerusalém. Se o produto pesasse muito para ser levado a Jerusalém, poderia ser convertido em dinheiro.
Um dízimo do produto da terra arrecadado a cada três anos para os levitas locais, órfãos, estrangeiros e viúvas.
Este foi o dízimo bíblico.(...)
..
Com a morte de Jesus, todos os códigos cerimoniais, governamentais e religiosos que pertenciam aos judeus foram cravados em Sua cruz e enterrados para sempre... Para nunca voltarem a condenar-nos. Por esta razão nunca vemos nenhum cristão no NT dando o dízimo. Da mesma forma que não os vemos sacrificando cabritos e touros para cobrir seus pecados! (...)
...
Dizimar pertence exclusivamente a Israel sob a Lei. No aspecto financeiro vemos os santos do primeiro século dando alegremente de acordo com sua capacidade — não para obedecerem a um mandamento. A oferta na primitiva igreja era voluntária.E os que se beneficiavam disto eram os pobres, órfãos, viúvas, doentes, prisioneiros e estrangeiros. .

Agora mesmo posso ouvir alguém fazer a seguinte objeção: “E quanto a Abraão? Ele viveu antes da Lei. Nós o vemos dizimar ao sumo sacerdote Melchizedek. Isto não destrói seu argumento de que o dízimo é parte da Lei de Moisés?”
Não, não destrói. Primeiramente, o dízimo de Abraão era completamente voluntário. Não obrigatório. Deus não o ordenou como havia feito com o dízimo de Israel.
(...).

Em segundo lugar, Abraão dizimou dos saques que ele havia adquirido depois de alguma batalha. Ele não dizimou de suas rendas nem de sua propriedade. O ato de dizimar de Abraão seria algo parecido com receber uma bonificação no trabalho, uma gratificação de Natal, para depois dizimar.

Em terceiro lugar, e o ponto mais importante, esta foi a única vez que Abraão dizimou em todos os seus 175 anos aqui na terra. Não há evidência de que ele voltou a repetir tal coisa novamente. Conseqüentemente, se você deseja usar Abraão como “texto de prova” para dizer que os cristãos necessitam dizimar, então você é obrigado a dizimar apenas uma vez!.

Isto nos remete ao batido texto citado anteriormente em Malaquias 3. O que disse Deus ali? Primeiramente, esta passagem foi dirigida ao antigo Israel quando este estava sob a Lei Mosaica. O povo de Deus estava retendo seus dízimos e ofertas. Considere o que aconteceria se os estadunidenses recusassem pagar seus impostos sobre suas rendas. A lei americana qualifica isso como um roubo. Os culpados seriam castigados por roubar ao governo..

De igual forma, quando Israel reteve seus dízimos (impostos), Israel estava roubando a Deus — Ele instituiu o sistema do dízimo. Então o Senhor mandou que seu povo trouxesse seus dízimos ao alforge. O alforge era situado nas câmaras do Templo. Esta câmara era separada para receber os dízimos em espécie, não em dinheiro, para o sustento dos Levitas, pobres, estrangeiros e viúvas. .

Note o contexto de Malaquias 3:8-10. No versículo 5 o Senhor diz que Ele julgará os que oprimem as viúvas, os desamparados e os estrangeiros. Ele diz, “Eu Me movimentarei com rapidez para castigar os que praticam bruxaria, os adúlteros, os mentirosos, os que roubam o salário de seus empregados, os que exploram as viúvas e os órfãos, enfim todos os que não Me respeitam”.

As viúvas, os órfãos e os estrangeiros eram os dignos recebedores do dízimo. Por reter os dízimos, Israel foi culpado de oprimir a estes três grupos. É aqui que está o coração de Deus em Malaquias 3:8-10: A opressão aos pobres.
Quantas vezes você ouviu pastores enfatizar este ponto, martelando teus ouvidos com a passagem de Malaquias 3? Das centenas de sermões que eu ouvi sobre dízimo, nenhuma vez escutei nem mesmo um sussurro acerca do que tratava esta passagem. Ou seja, os dízimos eram para sustentar as viúvas, os órfãos, os estrangeiros, e os Levitas, que não tinham qualquer propriedade. É isto o que a Palavra do Senhor tem como objetivo em Malaquias 3. (...) .

A Origem do Dízimo e do Salário do Clero.

Relatar a história do dízimo cristão é um exercício fascinante. O dízimo migrou do Estado para a Igreja. Na Europa Ocidental, exigir o dízimo da produção de alguém era cobrar o aluguel da terra que lhe era dada em arrendamento. Na medida em que a cobrança do aluguel de 10% era entregue à Igreja, esta aumentava sua quantidade de terras ao longo da Europa. Isto resultou em um novo significado relacionado a esta cobrança de 10%. Chegou a ser identificado com o dízimo levítico! Por conseguinte, o dízimo cristão como instituição foi baseado em uma fusão da prática do VT com a instituição pagã..

Pelo século XVIII, o dízimo chegou a ser um requisito legal em muitas áreas da Europa Ocidental. Pelo fim do século X, a diferença do dízimo enquanto imposto de renda e mandamento moral apoiado no Antigo testamento havia desaparecido. O dízimo tornou-se obrigatório ao longo da Europa cristã..

Em outras palavras, antes do século VIII, o dízimo era um ato de oferta voluntária. Mas pelo fim do século X, ele passou a ser uma exigência legal para sustentar a Igreja Estatal — exigida pelo clero e colocada em vigor pelas autoridades seculares!
Felizmente, a maioria das igrejas modernas abandonou a prática do dízimo como uma exigência legal. Mas a prática de dizimar está tão viva hoje como foi durante o tempo em que era um requisito legal. Certamente você não vai ser castigado fisicamente por não dizimar. Mas se você não for dizimista — isto se aplica à maioria das igrejas modernas — você será excluído das posições importantes do ministério. E sempre será culpado e atacado de cima do púlpito!.

Quanto aos salários do clero, os ministros não receberam salários durante os primeiros três séculos. Mas quando Constantino entrou em cena ele instituiu a prática de pagar um salário fixo ao clero dos fundos eclesiásticos e das tesourarias municipais e imperiais. Assim, pois, nasceu o salário do clero, uma prática daninha que não tem precedente no NT.(...)

Raiz de Toda Maldade.

Se um crente deseja dizimar voluntariamente ou com base em uma convicção, não há problema. O dízimo chega a ser um problema quando é apresentado como um mandato de Deus, obrigatório para todo crente..

O dízimo obrigatório representa opressão aos pobres. Não são poucos aqueles que são empurrados para uma pobreza mais profunda porque alguém lhes disse que se não dizimarem estarão roubando a Deus. Quando se ensina o dízimo como um mandato de Deus, os cristãos que têm muita dificuldade econômica para viver, são culpados se não o cumprem e mergulham em uma pobreza maior ao cumpri-lo. Desta maneira, o dízimo esvazia o evangelho enquanto “boas novas aos pobres”. Em vez de boas notícias, o dízimo chega como um fardo. Em vez de liberdade, chega a ser opressão. Esquecemos que o dízimo original que Deus estabeleceu para Israel era para beneficiar aos pobres, não para prejudicá-los!.

Por outro lado, o dízimo moderno é uma boa notícia para o rico. Para uma pessoa com altos rendimentos, 10% é uma soma ínfima. Dizimar, portanto, apazigua a consciência do rico na medida em que não exerce nenhum impacto significante sobre seu estilo de vida. Não são poucos os cristãos ricos que são levados a erroneamente pensar que estão “obedecendo a Deus” pelo fato deles colocarem um mísero 10% de suas rendas no prato da oferta..

Mas Deus tem uma perspectiva bem diferente relacionada ao ato da dádiva. Recorde a parábola das moedas da viúva: “Quando Jesus estava no templo, observava os ricos colocarem suas ofertas na caixa de ofertas. Foi quando uma viúva pobre pôs somente duas moedinhas de cobre. 'Realmente', comentou Ele, 'esta viúva pobre deu mais do que todos os outros juntos. Pois eles deram um pouco do que não precisam, porém ela, pobre como é, deu tudo o que tem’”. .

Lamentavelmente, o dízimo muitas vezes é visto como uma prova definitiva de discipulado. Se você é um bom cristão você dizimará, pelo menos é assim que se pensa. Mas esta é uma falsa premissa. O dízimo não é nenhum sinal de devoção cristã. Se assim fosse, todos os cristãos do século I teriam sido condenados por falta de piedade! .

A raiz persistente detrás do constante empurrão para que as pessoas dizimem na igreja moderna é o salário do clero. Muitos pastores sentem que é necessário pregar o dízimo e lembrar a congregação de sua obrigação de apoiá-lo em seus programas. E eles usam a promessa de uma bênção financeira ou o temor de uma maldição financeira para assegurar que os dízimos continuem sendo arrecadados.

Desta maneira, o dízimo moderno é o equivalente a uma loteria cristã. Pague o dízimo e Deus lhe devolverá mais dinheiro depois. Recuse dar o dízimo e Deus lhe castigará. Tais pensamentos assaltam o cerne das boas novas do evangelho.
Poder-se-ia dizer a mesma coisa quanto ao salário do clero. O qual tampouco tem qualquer mérito. De fato, o salário do clero corre totalmente em sentido oposto ao novo Pacto. Os anciãos (pastores) do primeiro século nunca receberam salários. Eles eram homens com profissões seculares. Eles contribuíam com o rebanho em vez de pegar dinheiro da congregação. (...) .

Embora o dízimo seja bíblico, não é cristão. Jesus Cristo não o afirmou. Os cristãos do século I não o observaram. E por cerca de 300 anos o povo de Deus não o praticou. Dizimar não foi uma prática aceita em grande escala entre os cristãos até o século VIII! .

O ato da oferta no NT era segundo a capacidade de cada um. Os cristãos doavam para ajudar outros tanto como para apoiar obreiros apostólicos, permitindo-lhes viajar e fundar igrejas. Um dos testemunhos da Igreja Primitiva foi o de revelar o quão liberais eram os cristãos com relação aos pobres e necessitados. Foi isto que fez com que gente de fora da igreja, inclusive o filósofo Galen, presenciasse o poder gigantesco e encantador da Igreja Primitiva e dissesse: “Olhe como se amam uns aos outros”. .

O dízimo é mencionado apenas quatro vezes no NT. Mas nenhuma destas quatro ocorrências se refere a cristãos. Definitivamente, o dízimo pertence ao VT onde um sistema de tributação foi estabelecido para apoiar aos pobres e onde havia um sacerdócio especial separado para ministrar ao Senhor. Com a vinda de Jesus Cristo, houve uma “mudança na lei” — o antigo acordo foi “cancelado” e “posto de lado” dando lugar a um novo. .

Agora, todos somos sacerdotes — livres para funcionar na casa de Deus. A Lei, o velho sacerdócio, o dízimo, todos foram crucificados. Agora não há cortina do templo, nem imposto do templo, e não há um sacerdócio especial que se coloca entre Deus e o homem. Você, querido cristão, foi libertado da atadura do dízimo e da obrigação de apoiar o sistema do clero. (...)

O Último Desafio .

Alguém disse uma vez, “Talvez não haja nada pior do que alcançar o último degrau de uma escada e descobrir que subimos pela parede errada”.Após ler este livro, você deverá identificar-se com esta declaração. Nesse sentido terminarei lançando um desafio direto ao seu coração. .

Você aprendeu que as práticas da igreja que você acreditava serem bíblicas não têm qualquer base nas Escrituras. Você descobriu a origem destas práticas. Você sabe que elas não tiveram origem em Deus, mas em homens — a maioria dessas práticas vieram do paganismo. E você sabe que elas frustram o propósito final de Deus para com a Sua Igreja. E você sabe que elas frustram o propósito final de Deus para com a Sua Igreja. Você também se deu conta de que dependeu desesperadamente destas tradições inúteis e de que foi até mesmo atrapalhado por elas. .

Diante do exposto, eu pergunto: Você vai continuar praticando tais tradições ou as abandonará? Você vai continuar praticando o que você sabe estar em desacordo com os desígnios de Deus? .

Você vai imprudentemente ignorar o que leu neste livro concernente às suas práticas na igreja? Ou será fiel aos fins absolutos da luz dentro de você, abandonando completamente a tradição do homem para seguir a plenitude de Cristo e Sua Igreja?
Após receber a luz que lhe foi dada, você continuará a sustentar invenções religiosas em detrimento da inspirada revelação de Deus? Ou você dará atenção à luz que está dentro de você? .

Você abandonará a igreja institucional que abraça práticas que violam o NT ou “invalidará a Palavra de Deus por amor às suas tradições? — que continuam amarrando uma grande pedra em torno da cintura da Igreja de Jesus Cristo?
Continuará a fazer sacrifícios na cidade de Faraó? Ou irá até a fronteira, sondar o terreno, e tomar uma atitude?

A história mostra onde a consciência e a tradição se chocam, a maioria do povo de Deus vai atrás da tradição. Agora mesmo, a questão primordial é...
Qual atitude você vai tomar?.

Cristianismo Pagão - Frank Viola

domingo, janeiro 04, 2009

Cristianismo Pagão - Parte 5

O PASTOR

Ele é a figura fundamental da fé protestante. Ele é o chefe da cozinha, o cozinheiro e o lavador de pratos do cristianismo de hoje. O pastor é tão predominante nas mentes da maioria dos cristãos que, na realidade, ele é mais bem conhecido, mais louvado, mas mais confiado do que o próprio Jesus Cristo!

Remova o pastor e o moderno cristianismo entra em colapso. Remova o pastor e cada igreja protestante virtualmente entrará em pânico. Remova o pastor e o protestantismo como o conhecemos morre. O pastor é o ponto focal dominante, a base e a peça central da moderna igreja. Ele incorpora o cristianismo protestante.

Mas há aqui uma profunda ironia. Não há um só versículo em todo NT que apóie a existência do moderno pastor dos nossos dias! Ele simplesmente nunca existiu na igreja primitiva.
.
(Note que eu utilizo o termo “pastor” ao longo deste capítulo para descrever o moderno ofício e papel que ele desempenha. Eu não me refiro ao indivíduo específico que exerce este papel. Aqueles que exercem o ofício de pastor são pessoas maravilhosas. Eles são honrados, decentes e muitas vezes cristãos dedicados que amam a Deus, zelosos em servir Seu povo. Mas é ao papel que eles estão cumprindo que a Bíblia e a história da igreja se opõem. (...)

E ele deu alguns como Apóstolos, alguns como profetas, alguns como evangelistas e alguns como PASTORES e professores (Efésios 4:11, NASB), [ênfase minha].

Pode-se fazer as seguintes observações acerca deste texto.

Este é o único versículo no NT onde a palavra “pastor” é usada. Um verso solitário é uma peça sumamente escassa de prova para dependurar toda a fé protestante! Aliás, há mais autoridade bíblica no ato de pegar serpentes com as mãos do que na posição de pastor. (Marcos 16:18 e Atos 28:3-6 mencionam as serpentes. Então pegar serpentes com as mãos ganha com dois versos contra um).

A palavra é usada no plural, ou seja, “pastores”. Isto é significativo. Sejam lá quais forem estes “pastores”, eles são plurais na igreja, não singulares. Assim, pois, não há qualquer suporte bíblico para a prática do Sola Pastora (pastor único).

A palavra grega traduzida por “pastores” é poimen que significa pastores. ("Pastor” é a palavra latina para aquele que pastoreia). Portanto, “Pastor” é uma metáfora que descreve uma função específica na igreja. Não é uma profissão nem um cargo. Um pastor do século I nada tem a ver com o sentido especializado e profissional que veio a ter na moderna cristandade. Assim, pois, Efésios 4:11 não se refere a um cargo pastoral, mas meramente a uma das muitas funções na igreja. Pastores são aqueles que naturalmente provêem nutrição e cuidado às ovelhas de Deus. Porém, é um profundo erro confundir pastores com um ofício ou título como comumente se concebe hoje. (...)

Donde você supõe que os cristãos adquiriram seu padrão de ordenação? Eles copiaram sua cerimônia de ordenação do costume romano de designar homens ao serviço civil. Todo o processo, cada palavra, saiu diretamente do mundo cívico romano. (...)

A moderna prática da ordenação cria uma casta especial de cristão. Seja ele sacerdote no catolicismo ou pastor no protestantismo, o resultado é o mesmo: O ministério mais importante restringe-se a uns poucos crentes “especiais”.
Tal idéia é tão daninha quanto antibíblica. Em nenhum lugar do NT a pregação, o batismo ou a distribuição da Ceia do Senhor restringe-se aos “ordenados”. O eminente erudito James D. G. Dunn esclarece melhor este ponto quando diz que a tradição clero-leigo contribuiu mais para minar a autoridade do NT do que a maioria das heresias!

Na medida em que alguém poderia desempenhar certa função na igreja através do rito da ordenação, o poder de ordenar passou a constituir o ponto chave no que diz respeito à autoridade religiosa. O contexto bíblico se perdeu. E passou-se a utilizar métodos de comprovar textos para justificar a hierarquia clero-leigo. O crente comum, geralmente inculto e ignorante, ficou a mercê do clero profissional! (...)

Embora os reformadores se opusessem ao Papa e sua hierarquia religiosa, eles fizeram vista grossa com respeito ao ministério que eles herdaram. Eles acreditavam que o “ministério” era uma instituição restrita àqueles poucos que foram “chamados” e “ordenados”. Assim, pois, os reformadores reafirmaram a divisão clero-leigo. Apenas na retórica os reformadores ensinavam que todos os crentes eram sacerdotes e ministros, na prática o negaram. Pois quando toda fumaça da reforma se dissipou, nos deparamos com a mesma coisa que os católicos nos deram — um sacerdócio seletivo! (...)

Em poucas palavras, a reforma protestante foi um golpe no sacerdotalismo católico romano. Mas não foi um golpe mortal, pois os reformadores preservaram a regra do Bispo único. Este simplesmente passou por uma mudança semântica. O pastor agora exercia o papel do Bispo. Ele chegou a ser conhecido como a cabeça da igreja local — como o principal ancião. Como disse certo escritor, “no Protestantismo, o pregador tende a ser porta-voz e representante da igreja, e a igreja muitas vezes é a igreja do pastor. Este é o grande perigo e a grande ameaça à religião cristã, a incoerência clerical”. (...)

O moderno pastor prejudica não apenas o povo de Deus, ele prejudica a si mesmo. A posição de pastor de uma forma ou de outra atrofia os que assumem essa função. As freqüentes depressões, vazio, estresse, e o desequilíbrio emocional são terrivelmente constantes entre os pastores. Nesse momento há mais de 500 mil pastores servindo nas igrejas nos Estados Unidos.

Deste grande número, considere a seguinte estatística que revela o perigo mortal da posição de pastor:

94 % sentem-se pressionados a ter uma família ideal.
90 % trabalham mais de 46 horas por semana.
81 % reportam uma insuficiência de tempo com seu cônjuge.
80 % crêem que o ministério pastoral prejudica a família.
70 % não têm o que se considera um amigo íntimo.
70 % têm menos auto-estima agora do que tinham quando entraram no ministério.
50 % sentem-se incapazes de cumprir as necessidades de sua posição.
80 % estão desanimados ou tratando de uma depressão.
40 % reportam sofrer pela timidez, horários frenéticos e falsas expectativas.
33 % consideram o ministério pastoral um perigo para a família.
33 % consideraram renunciar suas posições durante o último ano.
40 % das renúncias pastorais devem-se ao vácuo (a chama se apagou).


Espera-se que a maioria dos pastores exerça 16 tarefas simultâneas. E a maioria acaba pulverizada pelas pressões. Por esta razão, mensalmente, 1.600 ministros entre todas as denominações nos Estados Unidos são demitidos ou são forçados a renunciar. Durante os últimos 20 anos a média do pastoreado reduziu de sete para pouco mais de dois anos! (...)

O pastor moderno é o elemento mais inquestionado no cristianismo moderno. Mesmo assim ele não tem uma única linha nas Escrituras que justifique sua existência, nem uma folha de figueira para cobri-lo!

Assim, o pastor moderno nasceu da regra do bispado único engendrado por Inácio e Cipriano. O Bispo transformou-se em presbítero local. Na Idade Média o presbítero se converteu em sacerdote católico. Durante a Reforma ele foi transformado em “pregador”, “ministro”, e finalmente em “pastor” — o homem sobre o qual se dependura todo Protestantismo. Em suma: O pastor protestante é nada mais que um sacerdote católico um pouco reformado!

O sacerdote católico tinha sete ofícios durante o tempo da Reforma: Pregar, ministrar sacramentos, rezar pelo rebanho, vida santa, disciplina, ritos da igreja, apoiar pobres e visitar enfermos. O pastor protestante além de assumir todas estas responsabilidades — eventualmente também abençoava eventos cívicos.

O famoso poeta John Milton foi bem preciso quando disse: “O moderno presbítero não é outra coisa senão o velho sacerdote!” Outra versão disso seria: O pastor moderno não é outra coisa senão o velho sacerdote! (...)

Cristianismo Pagão - Frank Viola

domingo, dezembro 28, 2008

Cristianismo Pagão - Parte 4

O EDIFÍCIO DA IGREJA HERDANDO O COMPLEXO DE EDIFÍCIO



O antigo Judaísmo estava centrado em três elementos: o templo, o sacerdócio e o sacrifício. Quando Jesus veio, Ele cancelou os três elementos cumprindo-os em Si mesmo. Ele é o Templo que incorpora uma casa nova e viva feita de pedras vivas — “sem mãos [humanas]”. Ele é o Sacerdote que estabeleceu um novo sacerdócio. Ele é o Sacrifício perfeito e definitivo.

Foram apenas os cristãos que descartaram todos estes elementos. Poder-se-ia dizer que o cristianismo foi a primeira religião sem templos. Na mente do cristão primitivo, era a pessoa que constituía o espaço sagrado, não a arquitetura. Os primeiros cristãos entendiam que eles mesmos — coletivamente — eram o templo de Deus e a casa de Deus.

Notavelmente, em nenhuma parte do NT, encontramos os termos “igreja” (ekklesia), “templo”, ou “casa de Deus”, usados para referir-se a edifícios próprios. Ao ouvido do cristão do século I, descrever um edifício como ekklesia (igreja) seria como chamar uma mulher de arranha-céu!

O uso inicial da palavra ekklesia (igreja) para referir-se a um lugar de reunião cristã ocorre no ano 190 d.C. por Clemente de Alexandria (150-215). Clemente foi a primeira pessoa a utilizar a frase “ir à igreja”, que era um pensamento alheio ao crente do século I. (...)

Entre os séculos IV e VI, o catolicismo romano absorveu as práticas religiosas do paganismo e do Judaísmo. Instalou um clericalismo profissional e erigiu edifícios sagrados de alvenaria. E converteu a Santa Ceia em um sacrifício místico.

Constantino — Pai do Edifício da Igreja



A história de Constantino (285-337 d.C.) abre uma página tenebrosa na história da cristandade. Foi ele quem iniciou a construção dos edifícios eclesiásticos. A história é assombrosa. (...)

Em 312 d.C., Constantino tornou-se César do Império Ocidental. Em 324, ele tornou-se Imperador de todo Império Romano. Pouco tempo depois ele começou a ordenar a construção de edifícios de igreja. Ele fez isso para promover a popularidade e a aceitação da cristandade. Se os cristãos tivessem seus próprios edifícios sagrados — como tinham os judeus e os pagãos — a fé cristã seria legitimada no Império.(...)

Depois da viagem de Helena a Jerusalém em 327 d.C., Constantino começou a construir os primeiros edifícios de igrejas ao longo do Império Romano. Ao fazê-lo, ele seguiu a trilha pagã de erigir templos para honrar a Deus.

É interessante o fato dele ter nomeado suas igrejas com nomes de santos — da mesma forma que os pagãos nomeavam seus templos com nomes de seus deuses. Ele construiu suas primeiras igrejas sobre os cemitérios onde os cristãos honravam seus santos mortos.(...)

Querido cristão observe! As raízes do “sagrado” edifício da igreja são completamente pagãs. O edifício da igreja foi inventado por um professo ex-pagão dotado de uma mente completamente pagã. Tais edifícios da igreja foram construídos sobre a idéia pagã de que o morto cria um espaço santo. Por favor, lembre-se disto toda vez que você escutar alguém se referir a um edifício como casa “santa” e “sagrada” de Deus.(...)

Os edifícios das igrejas construídas por Constantino eram desenhados exatamente conforme o modelo da basílica. A basílica era o edifício governamental mais comum. Era desenhada segundo o estilo dos templos pagãos. (...)

Ele também a favoreceu por sua fascinação com a adoração ao sol. As basílicas foram desenhadas de tal maneira que os raios solares caíam sobre o orador enquanto este falava à congregação. Igual aos templos gregos e romanos, as basílicas cristãs foram construídas com a fachada voltada para o leste.

Exploremos a basílica cristã por dentro. Era uma réplica exata da basílica romana usada pelos magistrados e oficiais romanos. As basílicas cristãs possuíam uma plataforma elevada de onde os clérigos ministravam. A plataforma tinha uma elevação com vários degraus. Também havia uma grade que separava o clero dos leigos.

No centro do edifício ficava o altar. Era uma mesa (mesa do altar) ou arca coberta por uma tampa. O altar era considerado o lugar mais santo do edifício por duas razões. Primeiramente, este continha relíquias dos mártires. (Após o século V, a presença de uma relíquia no altar era essencial para a legitimação da igreja). Em segundo lugar, a Eucaristia (o pão e o cálice) estavam sobre o altar. (...)

É interessante que a maioria dos edifícios das igrejas modernas possuem cadeiras especiais para o pastor e seus auxiliares situadas sobre a plataforma atrás do púlpito. Assim como no caso do trono do Bispo, a cadeira do pastor geralmente é a maior! Tudo isso são vestígios da basílica pagã.

Somando-se a tudo isso, Constantino não destruiu templos pagãos em uma larga escala, nem tampouco os fechou. Em alguns lugares os templos pagãos existentes foram esvaziados de seus ídolos e convertidos em edifícios cristãos. Os cristãos usaram materiais das ruínas de templos pagãos e construíram novos edifícios cristãos nesses locais.(...)

No século XVI, os reformadores herdaram a sisuda tradição dos edifícios. Em um curto período de tempo milhares de catedrais medievais passaram para seu controle.
(...)

A principal mudança arquitetônica dos reformadores refletiu sua teologia. Eles colocaram o púlpito no centro dominante do edifício em vez da mesa do altar. (...)

Nas igrejas luteranas, o púlpito foi movido para frente do altar. O púlpito dominou nas igrejas reformadas e o altar finalmente desapareceu sendo substituído pela “mesa da comunhão”. Hoje é impensável um culto protestante sem a presença da “mesa sagrada"!

O púlpito ocupa uma posição central na Igreja Protestante. Tanto que um famoso pastor em conferência patrocinada pela Associação Evangelística de Billy Graham disse: “Se a igreja vive é porque o púlpito vive — se a igreja está morta é porque o púlpito morreu”. O púlpito é daninho porque eleva o clero a uma posição de proeminência. Como seu próprio nome diz, este coloca o pregador no centro do “palco” — separando-o e colocando-o no alto acima do povo de Deus.
(...)

Podemos Superar esta Tradição?

O edifício é um obstáculo, não uma ajuda. É algo que rasga o coração da fé cristã — uma fé que nasceu das salas das casas. Cada domingo pela manhã você se senta em um salão com origens pagãs e construído sobre uma filosofia pagã.
Não existe a menor prova de base bíblica para o edifício da igreja. No entanto, você, precioso cristão, continua a pagar um bom dinheiro para santificar seu piso e seus tijolos. Fazendo isso, você apóia um palco artificial e um auditório onde você fica passivo e impedido de ser natural ou íntimo. (Mesmo que você usufrua um doce companheirismo no estacionamento lotado, este é silenciado quando você chega diante da porta e entra dentro do salão).

Não temos idéia do que perdemos enquanto cristãos quando criamos o edifício da igreja. Chegamos a ser vítimas de nosso passado. A tradição nos faz cair.
Fomos engendrados por Constantino que nos deu o privilégio de sermos donos de um edifício. Fomos cegados pelos romanos e gregos que nos impuseram suas basílicas hierarquicamente estruturadas. Fomos enganados pelos godos que nos impuseram sua arquitetura platônica. Fomos seqüestrados pelos egípcios e babilônicos que nos deram o campanário. E fomos fraudados pelos atenienses que nos impuseram suas colunas dóricas.

De alguma maneira fomos ensinados a nos sentir mais santos quando estamos na “Casa de Deus”. Herdamos uma dependência patológica de um edifício para adorar a Deus. Mas, na realidade, não há nada mais paralisante, artificial, impessoal, ou forçado que um edifício da igreja clínica. Em tal edifício, você não é nada mais que uma estatística — um nome em uma ficha para ser arquivada no escritório do pastor. Não há nada amistoso ou pessoal nisso.

Enfim, o edifício da igreja nos ensinou de uma maneira errada o significado da igreja e sua finalidade. O edifício é uma negação arquitetural do sacerdócio de todos os crentes. É uma contradição da verdadeira natureza da ekklesia — a qual é uma comunidade contracultural. O edifício impede nosso entendimento e experiência de que a Igreja é o Corpo funcional de Cristo que vive e respira sob sua direta direção sem intermediários.

Cristianismo Pagão - Frank Viola

segunda-feira, dezembro 22, 2008

Cristianismo Pagão - Parte 3

SERMÃO: A VACA MAIS SAGRADA DO PROTESTANTISMO

Elimine o sermão e você eliminará a fonte mais importante de nutrição espiritual para a maioria dos crentes. Todavia, a surpreendente realidade é que o sermão não tem raiz nas Escrituras! Melhor dizendo, oriundo da cultura pagã, ele foi adotado e nutrido pela fé cristã. Esta é uma declaração alarmante. É verdade? Mas há mais.(...)

As Escrituras registram homens e mulheres pregando. Todavia, há uma grande diferença entre a pregação inspirada pelo Espírito, descrita na Bíblia, e o moderno sermão. Esta diferença quase sempre passa por alto porque fomos condicionados a não nos importarmos. Em vez de ajustarmos nossas práticas à Bíblia, lemos a Bíblia visando ajustá-la às nossas práticas. Então, equivocadamente, aceitamos o púlpito como algo bíblico. Vamos analisar isso mais de perto.

O moderno sermão cristão tem as seguintes características:

É uma ocorrência regular, proferido de cima do púlpito, pelo menos uma vez por semana.

É proferido quase sempre pela mesma pessoa, tipicamente pelo pastor.

É ministrado a uma audiência passiva; é essencialmente um monólogo.

É uma forma de falar culta, que possui uma estrutura específica.

Tipicamente, contem uma introdução, de três a cinco pontos e uma conclusão.
Contraste isto com o tipo de prédica mencionada na Bíblia. No AT, os homens de Deus pregavam e ensinavam. Mas sua falação não se encaixa com o sermão moderno.

Aqui vão as características das pregações e ensinos do AT:

Uma participação ativa e interrupções por parte da audiência eram comuns.

Eles falavam coisas que incomodavam os ouvintes abordando uma temática atual, em vez de apresentar um documento ou anotações rabiscadas em um papel.

Não há indicação que os profetas ou sacerdotes do AT proferissem discursos ou mensagens regulares para o povo de Deus. Além disso, a natureza das pregações do AT era esporádica, fluida e aberta à participação da audiência.

A pregação da sinagoga antiga seguiu um modelo similar.

Vamos agora ao NT. O Senhor Jesus não pregava um sermão regular à mesma audiência. Sua prédica e ensino consistiam de muitos formatos. Ele passava suas mensagens a muitas e diferentes audiências. (Certamente Ele compartilhou a maior parte de seus ensinos com os discípulos. Todavia, as mensagens que Ele compartilhou com eles foram consistentemente espontâneas e informais).

Seguindo o mesmo modelo, a pregação apostólica registrada em Atos dos Apóstolos possui as seguintes características:

Foi esporádica.

Foi proferida em ocasiões especiais para tratar de problemas específicos.

Foi extemporânea e sem estrutura retórica.(...)

O mais antigo registro cristão relacionado à pregação de sermões refere-se ao final do século II. Clemente de Alexandria (150-215) lamentava o fato dos sermões exercerem pouca influência nos cristãos. Todavia, apesar de seu reconhecido fracasso, o sermão chegou a ser uma prática normal entre os crentes no princípio do século IV.
Isto sugere uma questão interessante. Se os cristãos do século I não se destacavam por seus sermões, de onde os cristãos pós-apostólicos adquiriram o costume de proferir sermões? A resposta é contundente: O sermão cristão foi adotado diretamente da fonte pagã da cultura grega!(...)

Como é que o sermão grego foi parar dentro da igreja cristã? Por volta do século III, foi criado um vácuo quando o ministério mútuo do Corpo de Cristo se desvaneceu. Durante este tempo, o trabalhador itinerante que falava de uma forma espontânea deixou as páginas da história da igreja. Para substituí-lo, começou a surgir uma casta clerical. As reuniões abertas começaram a desaparecer, e as reuniões da igreja passaram a ser mais e mais litúrgicas.

Durante o século III, a distinção entre o clero e o leigo se disseminou rapidamente. Uma estrutura hierárquica começou a arraigar-se, e surgiu a idéia do “especialista em religião”. Em virtude destas mudanças, o cristão funcional teve problemas para ajustar-se a esta estrutura eclesiástica tão diferente do que era antes. Não havia nenhum lugar para exercer seus dons. Pelo século IV, a igreja tornou-se completamente institucionalizada e o funcionamento do povo de Deus congelou.

Nesse meio tempo muitos oradores pagãos se tornaram cristãos. Como resultado, idéias filosóficas pagãs foram inadvertidamente sendo introduzidas na comunidade cristã. Isso resultou em que alguns dos novos crentes durante este tempo eram, antes da conversão, oradores e filósofos pagãos. Lamentavelmente, muitos destes homens foram os primeiros teólogos da igreja Cristã. São conhecidos como “pais da igreja”, contudo algumas de suas obras estão conosco.

Assim, a idéia pagã de um orador profissional treinado para proferir discursos ou sermões mediante pagamento passou diretamente ao sangue do cristianismo. Note que o conceito de “mestre especialista assalariado” não veio do Judaísmo. Veio da Grécia. Era costume dos rabinos judaicos dedicar-se a um trabalho ou profissão para não ter que cobrar pelos seus ensinamentos.

Estes ex-oradores pagãos (agora cristãos) começaram a utilizar integralmente suas destrezas oratórias para fins cristãos. Eles se sentiam em seu cargo oficial e expondo o sagrado texto bíblico, como um sofista ao proferir uma exegese do texto quase sagrado de Homero...” Se você comparar um sermão pagão do século III com um proferido pelos pais da igreja, você encontrará a estrutura e a fraseologia de ambos bem similares.(...)

Cristianismo Pagão - Frank Viola

domingo, dezembro 21, 2008

Cristianismo Pagão - Parte 2

Como cristãos, somos ensinados por nossos líderes a crer em certas idéias e nos comportar de determinada maneira. Temos a Bíblia, claro. Mas estamos condicionados a lê-la com as cômodas lentes da tradição cristã à qual pertencemos. Nos ensinaram a obedecer nossa denominação (ou movimento) e jamais desafiar tais ensinos.

(Neste momento todos os corações rebeldes estão aplaudindo e tramando usar os parágrafos anteriores para criar estragos em suas igrejas. Se este é o seu caso, querido coração rebelde, quero acrescentar algo para você em minha introdução. Longe de recomendar que faça isso, meu conselho é: Deixe sua igreja silenciosamente para não causar divisões ou viva em paz com ela. Há uma grande distancia entre adotar uma postura rebelde e ficar do lado da verdade).

A verdade é que nós cristãos nunca colocamos em dúvida aquilo que fazemos. Pelo contrário, cumprimos alegremente nossas tradições religiosas, sem verificar de onde elas vieram. A maioria dos cristãos que afirma apoiar-se na Palavra de Deus nunca investiga se aquilo que faz a cada domingo tem base bíblica. Como sei isto? Porque se eles investigarem chegarão a conclusões bem incômodas. Conclusões que compeliriam suas consciências a abandonar tudo que fazem. (...)

Nas próximas páginas você ficará atônito quando descobrir que aquelas coisas que nós, cristãos, fazemos nas manhãs de domingo, não vieram de Jesus Cristo, dos Apóstolos ou das Escrituras. Nem mesmo vieram do Judaísmo. Sendo mais específico, a maior parte daquilo que fazemos na “igreja” foi absorvido diretamente da cultura pagã no período pós-apostólico. Sendo mais específico, a maior parte das nossas práticas eclesiásticas foi introduzida durante três períodos de tempo: Após Constantino (324 a 600), no tempo da Reforma (século XVI), e na era do Revivamento (séculos XVIII e XIX). (...)

LITURGIA

A Origem da Liturgia Protestante

Os pastores falam rotineiramente a suas congregações, “fazemos tudo conforme a Bíblia”, contudo, praticam esta férrea liturgia. Eles não agem corretamente. (Acredito que esta falta de veracidade deve-se mais à ignorância do que à má fé).
Verifique sua Bíblia do começo ao fim, você não encontrará nada semelhante a isso. Os cristãos do século I nada sabiam sobre tais coisas. Na realidade, essa liturgia protestante tem tanto apoio bíblico quando à Missa católica! Nenhuma das duas tem qualquer ponto de contato com o N.T.

Era um encontro fluido, não um ritual estático. E era imprevisível, bem diferente do culto da igreja moderna. Ademais, a reunião da igreja do século I não foi adotada dos cultos da sinagoga judaica, como alguns autores têm recentemente sugerido. Pelo contrário, era totalmente inédita naquela cultura.

Então, de onde vem a liturgia do culto protestante? Esta tem suas raízes principais na Missa Católica. A Missa não teve origem no NT e isso é significativo. A Missa saiu do antigo Judaísmo e do paganismo.

Gregório O Grande (540-604) é o homem mais responsável pela formação da Missa Medieval. Gregório foi um homem incrivelmente supersticioso, cujo pensamento foi influenciado pelos conceitos mágicos dos pagãos. Ele personificou a mente Medieval, que era uma mistura de paganismo, magia e cristianismo. Não é uma casualidade quando Durant descreve Gregório como “o primeiro homem completamente Medieval”.

A Missa Medieval refletia a mente de seu padre, Gregório. Foi uma combinação de rituais pagãos e judaicos borrifados com teologia católica e vocabulário cristão. Durant destaca que a Missa estava profundamente mergulhada tanto no pensamento mágico pagão como no drama grego. (...)

Quando as mais variadas denominações protestantes nasceram, todas ajudaram a reformar a liturgia católica contribuindo com um único elemento. No que toca à crônica da reforma litúrgica, trata-se de uma vasta e complexa jornada. Aprofundar nesse tema requer um grosso volume. Neste capítulo, examinaremos a história básica. Depois que Gregório estabeleceu a Missa no século VI, esta permaneceu praticamente intacta, com poucas variações durante mais de mil anos. Mas essa água parada da liturgia experimentou sua primeira revisão quando Martinho Lutero entrou em cena (1483-1546). (...)

Em suma, as maiores mudanças duradouras feitas por Lutero na Missa Católica foram as seguintes:
(1) Ele realizou a Missa na linguagem do povo.

(2) Deu ao sermão uma posição central na reunião.

(3) Ele introduziu a música na congregação.

(4) Ele eliminou a idéia de que a Missa era um sacrifício de Cristo.

(5) Permitiu que a congregação participasse no pão e no vinho (em vez de limitá-los exclusivamente ao sacerdote como faz a prática católica.)

Aparte destas diferenças, Lutero manteve a mesma liturgia como se vê na Missa Católica!

Zwinglio (1484-1531), o reformador suíço, aos poucos introduziu sua própria reforma, que ajudou a desenhar a ordem de adoração de hoje. Ele substituiu a mesa do altar por algo chamado “mesa da comunhão”, onde se ministrava o pão e o vinho. Ele também ordenou que se levasse o pão e o vinho à congregação em seus bancos utilizando bandejas de madeira e taças.

A maioria das igrejas protestantes tem tal mesa. Originalmente a mesa continha duas velas, um costume que veio diretamente da corte dos Imperadores Romanos! A maioria leva o pão e o vinho à congregação sentada em seu banco.
Zwinglio também recomendou que a Santa Ceia fosse observada trimestralmente (quatro vezes por ano). Fez isso em oposição ao tomá-la semanalmente como os outros reformadores haviam recomendado. Muitos protestantes imitam a observação trimestral da Santa Ceia hoje. Alguns a observam mensalmente. (...)

As Contribuições dos Metodistas e do Evangelismo Fronteiriço

Os séculos XVIII e XIX trouxeram novidades para o protestantismo americano. Foi quando surgiram os populares cultos do Evangelismo Fronteiriço estadunidense. Durante estes séculos, estes cultos influenciaram grandemente a ordem de adoração em muitas igrejas. Eventualmente, estes foram injetados nas principais correntes do Protestantismo estadunidense. Vejamos as mudanças duradouras resultantes dos Revivalistas Fronteiriços.

Primeiramente, os evangelistas fronteiriços alteraram a meta da pregação. Sua meta exclusiva era a conversão de almas. Dentro da cabeça do evangelista, não havia outra coisa no plano de Deus a não ser a salvação. Esta ênfase teve sua origem na pregação inovadora de George Whitefield (1714-1770).

Whitefield foi o primeiro evangelista moderno a pregar ao povo ao ar livre. Ele deslocou a ênfase da pregação do plano de Deus para a Igreja, para a pregação do plano de Deus para o indivíduo. A noção popular de que “Deus ama você e tem um plano maravilhoso para sua vida” foi introduzida por Whitefield.

Em segundo lugar, a música do evangelho fronteiriço falava à alma e visava propiciar uma resposta emocional à mensagem da salvação. Todos os evangelistas famosos tinham músicos em sua equipe justamente para este propósito. A adoração passou a ser um espetáculo. Esta mudança de ênfase foi adotada pelos Metodistas, e começou a penetrar em muitas outras subculturas protestantes.

Seguindo a trilha dos revivalistas, o culto metodista passou a ser o meio para obter o fim. A finalidade do culto já não era mais a simples adoração a Deus, os crentes foram instruídos a ganhar novos crentes individuais. Os sermões abandonaram a temática da “vida real” para proclamar o evangelho ao perdido. Toda humanidade foi dividida em dois desesperados campos polarizados: perdido ou salvo, convertido ou incrédulo, regenerado ou condenado.

A teologia do revivalismo não demonstrava uma compreensão do propósito eterno de Deus nem de seu Plano para com a Igreja. Os cânticos metodistas foram desenhados para amolecer os corações duros dos pecadores. A poesia começou a refletir tanto a experiência individual de salvação como o testemunho pessoal. Charles Wesley (1707-1788) é tido como o primeiro a escrever hinos de apelo.

Os pastores que dirigem seus sermões dominicais pela manhã exclusivamente para ganhar os perdidos refletem a influência revivalista. Esta influência penetrou na maioria dos evangelistas da televisão e do rádio. Muitas igrejas protestantes (não somente Pentecostal e Carismática) iniciam seus cultos com calorosos cânticos para preparar as pessoas para o sermão emocional dirigido aos perdidos. Mas poucos sabem que esta tradição começou com os evangelistas fronteiriços há pouco mais de um século.

Em terceiro lugar, os Metodistas e os Evangelistas Fronteiriços deram luz ao “apelo”. Esta novidade começou com os Metodistas no século XVIII. Esta prática de convidar pessoas que desejam orações a colocar-se de pé e vir à frente para recebe-las surgiu de um evangelista Metodista chamado Lorenzo Dow. (...)

Talvez o elemento mais dominante proporcionado por Finney ao moderno cristianismo foi o pragmatismo. Por pragmatismo quero dizer a crença de que se algo funciona ou dá resultados, então deve ser apoiado ou aceito. Finney acreditava que o NT não ensinava nenhuma forma determinada de adoração. Ele ensinava que o único propósito da pregação é ganhar almas. Qualquer mecanismo que ajudasse atingir esta meta poderia ser aceito. Sob Finney, o evangelismo do século XVIII se converteu em uma ciência e foi integrado à corrente principal das igrejas.

O cristianismo moderno nunca se recuperou desta ideologia antiespiritual. É o pragmatismo, não a Bíblia ou a espiritualidade, que governa as atividades da maioria das igrejas modernas. (Posteriormente as igrejas atentas aos seus “índices de audiência” foram além de Finney). O pragmatismo é daninho porque ensina que “os fins justificam os meios”. Se o fim é considerado “santo”, qualquer “meio” é válido.

Por estas razões Charles Finney é aclamado como “o reformador litúrgico mais influente na história dos Estados Unidos”. Do ponto de vista protestante, é necessário que a doutrina esteja rigorosamente de acordo com as escrituras para poder ser aceita. Mas pela prática da igreja, tudo é válido desde que resulte em novas conversões!

Em todos os aspectos, o Evangelismo Fronteiriço Americano converteu a igreja em um ponto de pregação. Restringindo a experiência da ekklesia a uma missão evangelística. Isto normatizou os métodos revivalísticos de Finney e criou personalidades do púlpito como a atração dominante. A igreja passou a ser uma questão de preferência individual em vez de ser uma questão coletiva.

Em outras palavras, a meta dos Evangelistas Fronteiriços era levar pecadores individualmente a uma decisão individual por uma fé individualista. Como resultado, a meta da Igreja Primitiva — a edificação mútua e o funcionamento de cada membro manifestando Jesus Cristo coletivamente diante dos principados e potestades — perdeu-se completamente. Ironicamente, João Wesley, um dos primeiros revivalistas, compreendeu os perigos do movimento revivalista. Ele escreveu que “o cristianismo é essencialmente uma religião social [...] transformá-lo em uma religião solitária é certamente sua destruição”.

O último tempero que o Revivalismo Fronteiriço agregou à liturgia protestante foi fazer o “apelo ao altar” após um hino. Esta é a liturgia que domina o protestantismo estadunidense hoje. Surpreendentemente, a liturgia pouco mudou desde a invenção da Missa Alemã por Lutero há quatro séculos atrás. Com a invenção do clichê multicopista de Alberto Blake Dick (1856-1934), a liturgia passou a ser impressa em boletins. Foi assim que nasceu o famoso “Boletim Matinal Dominical!”. (...)

A Contribuição Pentecostal

Inaugurado por volta de 1906, o movimento Pentecostal deu-nos uma expressão mais emotiva através dos cânticos entoados pela congregação. Estes incluíam mãos levantadas, danças entre os bancos, bater palmas, falar em línguas e o uso de pandeiros. A expressão Pentecostal soava bem com sua ênfase sobre a função extasiante do Espírito Santo.

O que poucas pessoas sabem é que suprimidas as características emotivas do culto Pentecostal, surge algo idêntico à liturgia batista. Assim, pois, não importa quão fortemente o Pentecostal afirme que ele está seguindo o modelo do NT, o Pentecostal e o Carismático seguem a mesma liturgia como fazem os demais protestantes. Um Pentecostal meramente tem mais espaço para mover-se ao derredor de seu assento! (...)

A maneira como reportam os cultos especiais é fascinante. Os membros tipicamente descrevem esta ruptura da liturgia normal dizendo, “O Espírito Santo dirigiu nossa reunião esta semana. O Pastor Buxman não teve a oportunidade de pregar”. É interessante que ninguém ousa perguntar, “mas o Espírito Santo não precisa dirigir todas nossas reuniões?” Hmmmm...

Mesmo assim, pelo fato de haver nascido no resplendor crepuscular do Evangelismo Fronteiriço, a adoração Pentecostal é altamente subjetiva e individualista. Na mente do Pentecostal, a adoração a Deus não é um assunto coletivo [o corpo da igreja], mas uma experiência individual [o membro da igreja]. Com a penetrante influência do movimento carismático, esta obsessão de adoração individualista infiltrou-se na grande maioria das tradições protestantes. (...)

Que há de Errado Nesse Quadro?

Naturalmente, é lastimoso que a liturgia protestante não tenha se originado com o Senhor Jesus, os Apóstolos, nem com as Escrituras do NT Esse fato, por si só, não significa que tal ordem esteja equivocada. Simplesmente significa que não tem base bíblica.

O uso de cadeiras e grossos tapetes tampouco têm apoio bíblico. Ambos foram inventados pelos pagãos. Mas quem disse que sentar em uma cadeira ou utilizar grossos tapetes é “ruim” pelo simples fato de ser uma invenção pós-bíblica dos pagãos?

A realidade é que muitas coisas que fazemos em nossa cultura têm raízes pagãs. Considere nosso calendário. Os nomes dias da semana e dos meses do ano são homenagens a deuses pagãos. Mas, o uso do calendário não torna ninguém pagão. (...)

Em segundo lugar, a ordem protestante de adoração estrangula a direção de Jesus Cristo!

O culto inteiro é dirigido por um homem. Onde está a liberdade para que nosso Senhor Jesus fale através de Seu Corpo a qualquer momento? De que forma, na liturgia, Deus poderá dar a um irmão ou irmã uma palavra para compartilhar com toda congregação? A ordem de adoração não permite tal coisa. Jesus Cristo não tem a liberdade de expressar, através de Seu Corpo, Sua direção. Ele é mantido cativo por nossa liturgia! Ele também é transformado em um espectador passivo!(...)

(Cristianismo Pagão - Frank Viola)

Cristianismo Pagão


A partir de hoje postarei trechos do livro Cristianismo Pagão, de Frank Viola.

O livro é muito esclarecedor sobre a história dos costumes pagãos na igreja cristã.

Selecionei os trechos e capítulos mais relevantes.

O livro completo está disponível on-line na web.

"Examinai tudo. Retende o bem." (I Tessalonicenses 5.21)

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