quarta-feira, janeiro 28, 2009

A Igreja do Futuro

Vejam mais um exemplo da ambição dos pastores pentecas, conforme o relato de um dos meus filhos virtuais.

“Um dia conversando com um pastor sobre os malaquianos que oprimiam o povo com Malaquias 3 e que eu não concordava com o famoso ‘teto’ dos neopentecostais e pentecostais, que aqui na minha terrinha é de DEZ mínimos mensais (e se a igreja tiver condição, até 20% dos dízimos e ofertas arrecadados), veja o que ele me disse: ‘Cada um tem um padrão de vida, e se você acha muito, outros acham pouco e se a igreja crescer mais, vou ser igual ao Pr. X (pentecostal, da maior denominação desta cidade) e, sendo assim, receber 20% do total do superavit mensal. Então eu lhe disse: que iria apelar para o Tribunal de Cristo e que ele prestaria contas disso ao Senhor...”

E quando eu critico essa gangue pastoral ainda vêm me falar horrores, como se eu fosse mentirosa e odiosa.

Diva, umas das irmãs mais queridas da minha rica agenda feminina, culta, inteligente e bíblica, me escreveu há dias, dizendo que já não suporta mais freqüentar a igreja onde congregava, a qual ficou cheia de novidades. Está ficando em casa e assistindo aos cultos pela TV (Só espero que não sejam os do Silas Malacheia).

Outra amiga nossa, do mesmo nível social e cultural, que eu conheci na IP de Copacabana, há mais de 20 anos, também está ficando em casa, porque não suporta mais as modernidades que entraram na igreja da qual foi membro por algumas décadas.

A apostasia está invadindo as igrejas como um dilúvio e, dentro de poucos anos, se o Senhor não regressar logo, os crentes sinceros vão entrar na era da Igreja Virtual, que será a Igreja do Futuro! Nesta Igreja, você não é obrigado a enriquecer um pastor pilantra com 10% dos seus ganhos; não vai precisar ficar sentado, escutando música barulhenta e heresias hulqueanas; e ainda poderá deletar o que não estiver conforme a sã doutrina, o que é impossível fazer na Igreja reunida num templo, sem escandalizar os membros da mesma.

O Movimento Nova Era está aí, mais robusto do que o Gnosticismo, no tempo de Paulo. Tenho observado que 999 entre cada 1.000 pessoas com quem eu falo, estão se tornando novaerenses, sem mesmo saber o que isto significa. A Nova Era está penetrando sorrateiramente nas igrejas pentecostais e “avivadas”, implantando a Teologia Reconstrucionista ou Dominionista, copiada de Agostinho de Hipona. Essa teologia nega as profecias do VT sobre a hegemonia mundial de Israel, com Cristo reinando em Jerusalém, no Seu Reinado Milenar; ela enfatiza o poder da Igreja no mundo, devendo esta reinar durante mil anos, através dos “Manifestos Filhos de Deus”, enquanto uma seleção de gigantes espirituais prepara a volta de Cristo. Tudo isso foge à verdade pregada na Bíblia. Entre os maiores líderes dessas baboseiras futuristas estão Peter Wagner e Benny Hinn, os quais sacramentaram as línguas, sinais e maravilhas, tendo ressuscitado os ofícios de apóstolos e profetas. O Movimento em favor do homossexualismo veio através da Igreja Episcopal, pregando a chamada “liberdade aos filhos de Deus”.

Esta salada indigesta de doutrinas espúrias está armando o palco para a vinda do Anticristo, da Religião Mundial e da Grande Tribulação. O Anticristo nem mesmo poderá ser comparado a Hitler, Sadan Hussein e Fidel Castro... Ele vai ser muito pior, porque será possuído e monitorado pelo próprio Diabo.

Nós, os crentes bíblicos fundamentalistas, ainda temos a “bendita esperança” do Arrebatamento. Mas os que estão sendo enganados pelas doutrinas da monumental Igreja Emergente, a qual prega propósitos, experiências, sinais e maravilhas, esses vão resvalar na chamada “operação do erro” (2 Tes. 2:11) e vão ficar aqui, sob o impacto de todas as pragas descritas no Livro do Apocalipse. Vão sofrer junto com os ateus e os membros das seitas.

Se perdurar essa confusão em Israel, brevemente o mundo vai chegar a um estado de total calamidade (com os árabes explodindo o Ocidente, a fim de conseguirem o seu maligno objetivo, que é varrer Israel do mapa). Nesse caso, a União Européia e os outros países ricos vão querer implantar um governo mundial, a fim de enfrentar o que a ONU se mostra incapaz de resolver. O mundo inteiro está se voltando contra Israel. Isto é bíblico, pois somente o Senhor vai continuar fiel ao Seu povo rebelde, até o instante final, quando Ele descerá do Céu, junto com os Seus anjos e santos, para derrotar os inimigos do Seu povo. Antes, porém, Ele vai nos arrebatar para um lugar seguro e seremos julgados no Tribunal de Cristo, onde ficaremos muito envergonhados dos pecados que temos cometido, neste mundo utilitarista e hipócrita.

E quem for amigo dos palestinos e não estiver satisfeito com este segundo artigo do Ano Novo, que o delete depressa, pois estou com um assunto mais urgente do que receber elogios dos leitores. Depois que usei uma tinta Koleston (ontem) e esqueci de lavar a cabeça na hora exata, meu couro cabeludo ficou empolado e só não fiquei careca, pela graça de Deus. Vou ser mais cuidadosa, da próxima vez, oxente!

Mary Schultze
www.cpr.org.br/Mary.htm

"Porque, se anuncio o evangelho, não tenho de que me gloriar, pois me é imposta essa obrigação; e ai de mim, se não anunciar o evangelho!" 1 Cor 9:16"Porque Deus, que disse que das trevas resplandecesse a luz, é quem resplandeceu em nossos corações, para iluminação do conhecimento da glória de Deus, na face de Jesus Cristo". 2 Cor 4:6

domingo, janeiro 25, 2009

Os pentecas e o Velho Testamento


O penteca F.D. ficou injuriado com os meus artigos, postados no site do CPR, mostrando os erros carismáticos, e me enviou um e-mail agressivo, chamando-me herege, incrédula, ignorante da palavra de Deus, uma cega guiando outros cegos para o inferno... Tudo isso e mais algumas “odiabilidades”, por causa do artigo - “A Dispensação Pentecostal” e outros - dizendo que as curas miraculosas, bem como as línguas, profecias, visões e revelações (tão comuns na igreja primitiva, principalmente constituída de judeus convertidos) terminaram, quando o Cânon da Escritura foi encerrado, tanto que o Apóstolo Paulo não pôde curar o seu companheiro Trófimo, quando este ficou doente, etc. Isto não significa que Deus tenha deixado de curar, quando Ele o deseja. Mas essa enxurrada de “curas divinas”, que teve início com os hereges William Branham, Kathryn Kuhlman e outros, é muito duvidosa...

Pelo que entendi, esse penteca é membro da INV e ficou ainda mais injuriado com os meus artigos condenando a cobrança dos dízimos. Sobre esta igreja tenho algumas restrições.

Certa vez eu estava assistindo a um culto na mesma, quando o pastor começou a “orar em língua estranha” e, em seguida, falou que o Espírito estava lhe revelando que todos os membros ali presentes deveriam contribuir com pelo menos 10 dólares para a compra de um teclado, etc. Olhei ao redor e vi uma porção de crentes mal vestidos, demonstrando pobreza, e fiquei indignada. Logo que o culto terminou, fui até o pastor e lhe entreguei 10 dólares que, por acaso, eu guardava na bolsa, e falei: “Nesta igreja existem muitas pessoas que nem sequer comem carne todo dia, por falta de dinheiro. Pela mais pobre dessas pessoas, estou lhe entregando estes 10 dólares, a fim de que ela fique livre da obrigação que o senhor acabou de impor a todas elas”. Ele me olhou aborrecido, mas, mesmo assim, recebeu os 10 dólares. Nunca mais pisei nessa igreja.

Numa noite de dezembro, eu estava jantando na mansão de um empresário da cidade, membro da mesma igreja. Lá pelas tantas, o assunto caiu sobre o dízimo. Quando expus minhas idéias, citando Gálatas 3:9-10 e 5:14, o dono da casa ficou aborrecido e falou: “Não concordo com você. Eu sou muito abençoado, exatamente porque entrego o meu dízimo. Por exemplo, este ano, ganhei mais de dois milhões em meus negócios e entreguei mais de 200 mil Reais de dízimo à igreja”. Pouco tempo depois, ele deixou a cidade porque os negócios não estavam indo muito bem... Imaginem a tristeza do pastor, quando perdeu essa mina de ouro!

Muitos pastores costumam ler o capítulo 3 de Malaquias, para intimidar os crentes, fazendo-os crer que se não entregarem pontualmente o dízimo não serão abençoados. Duvido que esses pastores “lucrófilos” expliquem aos seus ouvintes que os textos de Malaquias 3:8-10 têm sido interpretados e aplicados erroneamente pela maioria das igrejas cristãs. Uma interpretação correta do texto, segundo o contexto, vai mostrar que aqueles que são culpados de roubar a Deus, conforme Malaquias 3:8, são os sacerdotes ministradores e não o povo. Consequentemente, os que são amaldiçoados em Malaquias 3:9 são os sacerdotes, por terem quebrado a Antiga Aliança. Os pobres, as mulheres e os artesãos não eram obrigados a entregar o dízimo, segundo a Lei de Moisés. Os crentes da Nova Aliança foram completamente liberados de todas as leis do VT, conforme Jesus disse em Lucas 16:16: “A lei e os profetas duraram até João”. Em Mateus 23:23 (que os lucrófilos adoram citar) Jesus está cumprindo a lei e falando para os líderes fariseus.

Os pastores “lucrófilos”, principalmente os carismáticos, além de pregarem o falso evangelho da fé/prosperidade, ainda exigem o dízimo, agrilhoando os crentes às leis do VT, a fim de conservarem esses coitados presos às suas “sinagogas”, pelo medo de perderem bênçãos financeiras e espirituais, ou até serem castigados por desobediência. E assim, eles vão enriquecendo, acumulando fortunas nos bancos estrangeiros e até se assentando em tronos de ouro maciço, como Benny Hinn, Kenneth Copeland, Peter Wagner, Robert Schüller e outros “jacarés espirituais”.

Crente, leia o VT apenas para se ilustrar nos exemplos e na história de Israel. Nenhum profeta do VT fala diretamente para nós. Eles apontavam para as duas vindas do Messias e davam conselhos à nação de Israel, para que esta andasse conforme os mandamentos de Deus. Lembre-se que o nosso evangelho está contido nas cartas de Paulo. Ele é prático, límpido e simples como o autor do mesmo, o qual foi inspirado nas visões que teve de Jesus ressuscitado e pelo Seu Espírito, libertando os gentios do peso que Deus havia colocado sobre os judeus. Isso porque os judeus sempre pediram sinais, enquanto os gentios preferiram pedir sabedoria. É pena que os pastores carismáticos tenham regredido tanto, ao ponto de resolverem impingir as leis do Velho Testamento aos membros de suas congregações, complicando a vida dos crentes, com o fito de encherem os gazofilácios de suas “sinagogas pentecostais”.

Mary Schultze
www.cpr.org.br/Mary.htm

terça-feira, janeiro 20, 2009

segunda-feira, janeiro 19, 2009

Nao existem bencaos automaticas geradas pela perseguicao

(Esta é a terceira parte do artigo intitulado Perseguição e missão, escrito por Thomas Schirrmacher para Lausanne World Pulse. Leia a primeira parte:
http://tempodejabuticaba.blogspot.com/2009/01/perseguio-e-misso.html)

Em nenhum lugar os cristãos serão encorajados a buscar a perseguição ou o martírio. Nem a perseguição, automaticamente, levará a igreja a crescer ou a alcançar uma fé mais forte e pura. Esse é o contraste com aqueles que justificam sua autodestruição (como os homens-bomba) com base na crença religiosa.

A experiência da Igreja alemã sob o Terceiro Reich e sob o comunismo não a levou a uma reflexão mais intensa sobre a perseguição e nem a um reavivamento ou crescimento da Igreja. Mesmo quando a perseguição é proveitosa, seu resultado nunca é automático; ao contrário, sempre se dá devido à soberana graça de Deus.
A parábola de Jesus a respeito do semeador (Mt 13.3-8,20-22) identifica a riqueza e o egoísmo como fatores tão perigosos à fé quanto a perseguição e a opressão.

Os cristãos ocidentais tendem a exaltar a perseguição e os cristãos sob perseguição tendem a exaltar a liberdade e a riqueza. A fé de um sofre com a perseguição e a opressão, a do outro é sufocada pelas preocupações do mundo e pelo engano da riqueza. Mais ainda, no ocidente, a perseguição vem de formas mais ampla do que o abuso físico. Dessa maneira, os cristãos são perseguidos no trabalho por manter valores cristãos, os que tomam posição contra o secularismo se expõem ao ridículo e ao abuso.

A Igreja é chamada para ajudar e apoiar tais cristãos, assim como aqueles que claramente têm sofrido oposição física.

É um fato infeliz da história eclesiástica que a perseguição possa também gerar conflitos e divisão entre os cristãos.

Um terrível exemplo contemporâneo, que pode muito bem mostrar isso, aconteceu na Coréia, quando os governadores japoneses (1910-1945) exigiram que todos os coreanos se prostrassem diante de um santuário Shinto para honrar o imperador japonês e o deus sol.

Depois de muita resistência, em 1937 e 1938, a maior parte dos grupos cristãos se rendeu à intolerante e crescente coerção, mas estavam grandemente divididos (principalmente os presbiterianos) no que dizia respeito ao significado da cerimônia exigida: era um rito religioso ou apenas uma formalidade cultural? Sessenta anos depois, o problema ainda permanece sem resolução, e a brecha é ainda evidente, mesmo que o fator original tenha ocorrido há tanto tempo.

Sobre o autor

Dr. Thomas Schirrmacher é professor de ética e sociologia da religião na Alemanha e na Turquia. Ele também é presidente do Seminário Teológico Martin Bucer, representante de direitos humanos da Aliança Evangélica Mundial e diretor do Instituto Internacional da Liberdade Religiosa (Bonn, Cidade de Cabo, Colombo). Schirrmacher tem quatro doutorados (teologia, antropologia cultural, ética, e sociologia da religião).

Tradução: Homero S. Chagas

Fonte:
Lausanne World Pulse

sábado, janeiro 17, 2009

Missões entre perseguidores

(Esta é a segunda parte do artigo intitulado Perseguição e missão, escrito por Thomas Schirrmacher para Lausanne World Pulse. Leia a primeira parte: http://tempodejabuticaba.blogspot.com/2009/01/perseguio-e-misso.html)

Seguindo a tradição velho-testamentária (por exemplo, Jó 31.29; 42.8-9), o Novo Testamento nos exorta a pedir a graça de Deus sobre os perseguidores e a testemunhar a eles (Mt 5.44, Lc 6.27-28; 1Co 4.12).

O testemunho mais impressionante foi a oração de Jesus quando disse que Deus terá misericórdia de seus perseguidores (Lc 23.34). O primeiro mártir cristão, Estevão, orou de maneira parecida (At 7.60). Ambos pedidos foram atendidos, já que alguns dos perseguidores mais tarde se converteram (por exemplo, o centurião romano em Lc 23.47 ou Paulo em At 9.1-18).

A história da igreja está cheia de relatos de cristãos martirizados como Policarpo (conhecido porque orou por aqueles que o torturaram).

A Igreja contemporânea tem também seus próprios exemplos. Em 1913, o evangelista indonésio Petrus Octavianus relatou a história de um missionário da região de Toradya, no sudeste de Java. Cinco membros de uma tribo queriam matar o missionário, mas permitiram-lhe que orasse antes por eles. Ele orou em alta voz, pedindo que fossem salvos.

Três deles foram banidos para Java, converteram-se na prisão, e retornaram para Toradya, onde fundaram uma igreja que mais tarde, em 1971, tornou-se a quarta maior da Indonésia.

Não nos esqueçamos dos cinco missionários martirizados no Equador pelos aucas na década de 1960. Muitos dos assassinos tornaram-se anos depois os pilares da Igreja entre os aucas.

Muitos perseguidores de cristãos tornaram-se, tempos depois, cristãos. O mais conhecido deles é Paulo. Ele freqüentemente referia-se à perseguição que perpetrara conta a Igreja (1Co 15.9; Gl 1.13; 23.24; Fp 3.6; 1Tm 1.13; At 9.4-5; 22.4,7-8; 16.11, 14-15).

Jesus, missões e perseguição

Falar de Jesus é falar de missões, sofrimento e perseguição. A profecia de sua morte acompanha inteiramente seu ministério na Terra (Mt 10.17-19; 16.21; 17.22-23; 26.2).

Os detalhes da narrativa da Paixão ocupam as maiores seções dos evangelhos. Paulo consistentemente apresentou Jesus como o mártir arquétipo e como exemplo para todos os cristãos. Desse modo, não é de se surpreender que os escritos da igreja primitiva a respeito do martírio consideravam Jesus como o protótipo do mártir.
Jesus é o verdadeiro objeto de toda perseguição. Por essa razão, Jesus pergunta a Saulo: “Saulo, Saulo, por que me persegue?” (At 9.4; 22.7; 26.14), e se identifica como “Jesus, a quem você persegue” (At 8; 9.5,22; 26.15).

A verdadeira razão para o sofrimento dos cristãos é Cristo, já que é o foco nele que justifica a oposição. Martinho Lutero disse certa vez: “Quanto mais claramente a Igreja reconhecer Cristo e testificar a respeito dele, mais certo se tornará o fato de que ela encontrará contradição, confrontação e ódio do anticristo”.

O próprio Jesus freqüentemente lembrava seus discípulos de que seriam perseguidos por sua crença enquanto pregassem o evangelho (Mt 10.22; 16.25; Lc 21.12).
Sem a ofensa da cruz, não haveria missões, mas também não haveria perseguição (Gl 5.11). Paulo acusou seus adversários de serem circuncidados apenas para escapar da perseguição (Gl 6.12,14). De fato, a palavra da cruz é loucura para os que não crêem (1Co 1.18), impedimento para os judeus, e tolice para os gentios (1Co 1.23).

Entretanto, é também o centro da história da salvação (1Co 1.23, 2.2). Dessa forma, a mensagem da cruz é a glória do evangelho, assim como sua loucura (1Co 1.17-25; Gl 6.11-14).

O Espírito Santo, verdadeiro missionário, e a perseguição

Sem o Espírito Santo, todas as missões são fúteis e não servem para nada. Então, como missões e perseguição estão intimamente relacionadas, o Espírito Santo também possui um papel vital na experiência com a perseguição.

Ele é o “Consolador” (Jo 16.16,26) e dá aos cristãos a força para enfrentar a perseguição e a alegria para regozijar nas condições mais difíceis (1Pe 4.14). O espírito da glória, que repousou sobre o Messias (Is 11.2) traz sua glória a todos que aparentemente perderam-na, como Estevão, descrito por Lucas como aquele que “estava cheio do Espírito Santo” ([At 7.55) durante sua defesa e execução, e como aquele que viu a glória de Deus no céu.

Jesus prometeu sabedoria aos perseguidos quando estivessem diante de juízes e necessitassem testemunhar. O Espírito Santo, de fato, os instruiriam naquilo que tivessem de falar (Lc 21.12-15; Mt 10.19-20).

William Carl Weinrich* observa que raramente Jesus falou da função do Espírito Santo, entretanto, quando o fez, descreveu-o como o Auxiliador e Consolador em meio à perseguição (Mt 10.17-20; Mc 13.9-11; Lc 21.12-19). Não é de se estranhar que Paulo atribuía sua perseverança ao Espírito Santo (2Co 6.6; Fp 1.19; 1 Ts 1.6-7).
A Igreja primitiva era constantemente advertida de que somente o Espírito de Deus poderia dar sabedoria e força aos perseguidos para que resistissem.

Notas
3. Konrad-Adenauer-Stiftung: Berlin. 1981. Spirit and Martyrdom. Washington D.C.: University Press of America.

Sobre o autor

Dr. Thomas Schirrmacher é professor de ética e sociologia da religião na Alemanha e na Turquia. Ele também é presidente do Seminário Teológico Martin Bucer, representante de direitos humanos da Aliança Evangélica Mundial e diretor do Instituto Internacional da Liberdade Religiosa (Bonn, Cidade de Cabo, Colombo). Schirrmacher tem quatro doutorados (teologia, antropologia cultural, ética, e sociologia da religião).

Tradução: Homero S. Chagas

Fonte:
Lausanne World Pulse

quinta-feira, janeiro 15, 2009

COMO NASCE UMA HERESIA – IV

Sandalhaço e Dobradinha

Estive orando três dias e três noites no monte. Pedi a Deus que me mostrasse o
caminho para o avivamento de sua igreja. De repente, fui levado em espírito para o céu. Lá estavam reunidos o Pai, o Filho e o Espírito. Não via rosto nenhum.

Eram três luzes que me ofuscavam e se fundiam numa só. Não ouvia três vozes, mas uma só. Compreendia perfeitamente qual dos três estava falando comigo. A comunicação era apenas mental.

A Luz, representando o Filho, aproximou-se mais de mim e me disse – “Meu
irmão, você está encarregado de uma grande missão. Ouvi a sua súplica. Vou
usá-lo como vaso de honra para reavivar o meu povo que padece por falta de
sacrifício. O sacrifício que ordeno agora é o do dízimo duplo, isto é, não mais dez por cento, mas vinte por cento. Lance uma grande campanha com o título “A dobradinha santa do dízimo”. Todos os anos, nos meses de fevereiro, junho e novembro, meus irmãos deverão participar da dobradinha santa. Lembre-lhes que colhe mais quem mais semeia”.

A Luz também me disse que nos meses da dobradinha os que aderirem à
campanha, homens, mulheres e crianças deverão calçar sandálias. A vitória é
certa para quem usá-las. Abrir-se-ão as portas; os caminhos ficarão mais largos, as dificuldades menores. As sandálias transmitem energia positiva e afastam a negativa. O pai do filho pródigo, quando este retornou, deu-lhe de presente sandálias novas (Lc 15.22). “João Batista disse que não era digno de desatar a correia das minhas sandálias”, disse a Luz.

Agora, meus amados, vamos às instruções. O próximo mês de fevereiro é o
primeiro da dobradinha e do sandalhaço. Vamos mostrar que somos o povo
escolhido de Deus. Não haverá salvação para quem ficar de fora. A partir de
janeiro, colocaremos à disposição dos fiéis 500.000 pares de sandálias de várias
cores e tamanho. Os preços variam de R$15,00 a R$70,00. Foram feitas com
couro de camelos do Egito, por onde o povo de Deus peregrinou por quarenta
anos. É couro ungido. Estas custam mais caro. Para os menos exigentes, temos
sandálias em couro de bode ungido do riquíssimo e abençoado sertão nordestino.

As sandálias deverão ser calçadas no primeiro dia do primeiro mês da campanha, e somente deverão ser retiradas no último dia. Somente o usuário poderá atar e desatar as correias das sandálias. Assim como Jesus se colocou em nosso lugar na cruz, vocês devem fazer esse sacrifício, isto é, usar um calçado que foi usado por Ele. É um ato de gratidão. Leiam: “Sede imitadores de Deus, como filhos amados” (Ef 5.1). Jesus pede que todos façam esses dois sacrifícios: a dobradinha do dízimo e uso das sandálias. Muito mais Ele fez por nós.

Nossos adversários irão dizer que isto é uma heresia. Não dêem ouvidos a tais
comentários. Sempre haverá os inimigos da fé, os falsos mestres a ensinar
heresias destruidoras. Vocês viram que tudo que falamos aqui é bíblico. No
período da campanha, nossos pastores também estarão participando do
sandalhaço. Só do sandalhaço.

.x.x.x.x.x.
Nota:


Esta mensagem é uma ficção. Objetiva mostrar aos desavisados o quanto é fácil criar uma heresia e conseguir muitos seguidores.

Pr. Airton Evangelista da Costa

quarta-feira, janeiro 14, 2009

S E P A R A Ç Ã O

A maior evidência da mente obscurecida e da corrupta natureza humana não é a existência de casas de jogo e prostíbulos, mas a descrença na Divindade de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo.

A recusa do coração humano em escutar a voz de Deus é uma prova de que existe um povo que odeia a Luz e ama as trevas; e de que, quanto mais resplandece a Luz, mais ela é rejeitada e até odiada pelos homens, sendo esta a razão por que aumentam as trevas que envolvem a humanidade, nestes dias trabalhosos. E o nosso Deus, mesmo sendo AMOR e MISERICÓRDIA, nada mais pode fazer para salvar esta humanidade, que escarnece da Verdade, por Ele enviada ao mundo, na Pessoa do Seu Filho e que nos é entregue, hoje, através de Sua Palavra escrita.

A humanidade está em vias de encarar um novo julgamento divino, destinado a todos os que não têm escutado a voz de Deus; o que, infelizmente, tem acontecido desde o início da história humana. Após sua transgressão, o homem não foi consignado às trevas pelo nosso Deus bendito (??). Ele o dotou de uma consciência que sabia distinguir entre o bem e o mal (Romanos 1:18-25). Mesmo ainda não existindo a Palavra escrita, Deus Se manifestou verbalmente e quando examinamos os registros divinos, podemos constatar a malignidade da natureza humana, com a criatura dando as costas ao seu Criador.

Embora nos primeiros 1.650 anos da existência humana, os homens tivessem construído cidades, inventado instrumentos e tendo sido amantes das artes manuais e da música, eles sempre se afastaram de Deus, conforme Gênesis 6:5-7: “E viu o SENHOR que a maldade do homem se multiplicara sobre a terra e que toda a imaginação dos pensamentos de seu coração era só má continuamente. Então arrependeu-se o SENHOR de haver feito o homem sobre a terra e pesou-lhe em seu coração. E disse o SENHOR: Destruirei o homem que criei de sobre a face da terra, desde o homem até ao animal, até ao réptil, e até à ave dos céus; porque me arrependo de os haver feito”.

Por isso, Ele resolveu castigar a humanidade, inundando a Terra com as águas de Sua disciplina. O dilúvio não é um mito, mas uma realidade histórica, registrada no primeiro livro da Bíblia e confirmada pela Ciência, pela Geologia e pela tradição.

Quando examinamos a raça escolhida e por Deus muito favorecida - Israel - temos a mesma evidência da mente humana obscurecida pelo pecado da rebeldia, comprovando a corrupção da natureza humana. Israel recebeu muitas provas da graça e da misericórdia divina, quando foi conduzida para fora do Egito e, miraculosamente, libertada das mãos dos seus inimigos, sem falar do maná que Deus enviou ao Seu povo, para lhe saciar a fome e da água brotando da rocha, para lhe mitigar a sede. Israel presenciou um milagre após outro, durante os 40 anos de travessia pelo deserto, e até escutou a voz do Senhor, ao pé do Monte Sinai.

Mesmo assim, impaciente com a demora de Moisés em descer do Monte, o povo fez exigências a Arão, irmão de Moisés: “E Arão lhes disse: Arrancai os pendentes de ouro, que estão nas orelhas de vossas mulheres, e de vossos filhos, e de vossas filhas, e trazei-mos. Então todo o povo arrancou os pendentes de ouro, que estavam nas suas orelhas, e os trouxeram a Arão. E ele os tomou das suas mãos, e trabalhou o ouro com um buril, e fez dele um bezerro de fundição. Então disseram: Este é teu deus, ó Israel, que te tirou da terra do Egito. E Arão, vendo isto, edificou um altar diante dele; e apregoou Arão, e disse: Amanhã será festa ao SENHOR. E no dia seguinte madrugaram, e ofereceram holocaustos, e trouxeram ofertas pacíficas; e o povo assentou-se a comer e a beber; depois levantou-se a folgar” (Êxodo 32:2-6).

Esta foi uma das primeiras manifestações de apostasia da parte do povo de Deus... Apostasia que se tem repetido em toda a história da humanidade. No Livro da 2 Crônicas 36:15-16, lemos: “E o SENHOR Deus de seus pais, falou-lhes constantemente por intermédio dos mensageiros, porque se compadeceu do seu povo e da sua habitação. Eles, porém, zombaram dos mensageiros de Deus, e desprezaram as suas palavras, e mofaram dos seus profetas; até que o furor do SENHOR tanto subiu contra o seu povo, que mais nenhum remédio houve”.

E na plenitude dos tempos, quando o Senhor da Glória veio para Israel, aquela nação, já tão educada na escola divina, através de uma história de milagres de tantos séculos, em vez de Lhe dar um trono, deu-Lhe uma cruz.

Pior ainda tem acontecido na época de hoje, quando constatamos que a natureza humana em nada mudou, continuando a ser a mesma pervertida natureza corrompida, da época do dilúvio e da travessia do deserto. A era que seria chamada “cristã” (que nada tem de bíblica) trouxe a maior luz, a maior revelação e a maior oferta que Deus já fez à humanidade, durante toda a sua história. O Seu amor transbordou de modo insuperável, quando Ele enviou o Seu Filho unigênito ao mundo, nascido de mulher, o Qual resplandeceu como a mais bela, a mais pura e a mais resplandecente Luz do mundo, para resgatar a humanidade decaída. Jesus Cristo veio ao mundo para Se dar em oferta pelo pecado, a fim de que o homem nada precisasse fazer ou pagar, para obter a salvação eterna, exceto crer Nele como o Único e Todo Suficiente Salvador. E o que tem feito a humanidade, em resposta a esta oferta imensuravelmente misericordiosa do Pai celeste? Tem-lhe dado as costas!

As profecias mostram a rebeldia de Israel, o seu castigo (que já aconteceu em grande parte), sua restauração nacional (no final dos tempos dos gentios) e o final feliz, quando a nação se converter e se voltar para o Senhor, recebendo o perdão de todos os seus pecados...

Dessas profecias sobre Israel, os reconstrucionistas têm se apropriado, indevidamente, quando idealizam uma igreja (como a Nova Israel) dominando o mundo e preparando a volta de Cristo, após mil anos de domínio eclesiástico. Nesse empenho, a Igreja Emergente (com propósitos dominionistas) tem trabalhado e, nela está, a grande raiz da apostasia hodierna. A criação de uma Nova Era Apostólica (que Deus jamais iria aprovar) tem sido a base de toda a apostasia que anda grassando dentro das igrejas do Senhor.

Na parábola do trigo e do joio, entregue por Jesus em Mateus 13:24-30, lemos: “... O reino dos céus é semelhante ao homem que semeia a boa semente no seu campo; mas, dormindo os homens, veio o seu inimigo, e semeou joio no meio do trigo, e retirou-se. E, quando a erva cresceu e frutificou, apareceu também o joio. E os servos do pai de família, indo ter com ele, disseram-lhe: Senhor, não semeaste tu, no teu campo, boa semente? Por que tem, então, joio? E ele lhes disse: Um inimigo é quem fez isso. E os servos lhe disseram: Queres pois que vamos arrancá-lo? Ele, porém, lhes disse: Não; para que, ao colher o joio, não arranqueis também o trigo com ele. Deixai crescer ambos juntos até à ceifa; e, por ocasião da ceifa, direi aos ceifeiros: Colhei primeiro o joio, e atai-o em molhos para o queimar; mas, o trigo, ajuntai-o no meu celeiro." Realmente, o excesso de joio cresce junto com o trigo.

Algumas profecias foram entregues por Jesus aos Seus discípulos, referindo-se aos dias de hoje, como vemos em Mateus 24:37-39, por exemplo. A humanidade está preocupada com a atual crise financeira internacional, que os homens da liderança mundial procuram resolver, como se fossem os deuses responsáveis pela solução dos problemas mundiais. Mas, ela pode vir a ser o primeiro indício de uma derrocada mundial, a qual vai exigir um homem forte no governo das nações, a fim de resolver os problemas que a humanidade está prestes a enfrentar. Talvez, 999 entre 1.000 habitantes deste planeta agonizante estejam embarcando na “operação do erro”, confiando no homem, em vez de confiar no Criador.

Não existe uma única palavra de Jesus Cristo dando esperança para este mundo corrompido; ou seja, para um reavivamento espiritual da humanidade, no sentido de trilhar o caminho do bem e da paz.

O que vemos é a apostasia chegando para dominar a humanidade, a partir das igrejas conhecidas como “cristãs”... O que vem aí é uma catástrofe de grandes proporções; uma derrocada de todo o sistema financeiro mundial, do mesmo modo como tem havido, paulatinamente, uma derrocada do sistema moral, que prevalecia, até meados do século passado, em alguns setores da vida humana. O que Jesus deixou bem nítida foi a pergunta registrada em Lucas 18:8: “Quando porém vier o Filho do homem, porventura achará fé na terra”? Com esta pergunta, nosso Senhor deixou meridianamente clara a situação de descrença e apostasia que já está reinando dentro de Sua própria igreja.

Os líderes eclesiásticos modernos ficam inventando moda após moda, tentando “melhorar” a Palavra de Deus, pensando em torná-la mais facilmente aceitável pela raça decaída, quando a Palavra é infalivelmente perfeita e não precisa de outra coisa, exceto de nossa OBEDIÊNCIA. O excesso de barulho, gritaria e coreografia tem substituído a pregação da Palavra de Deus...

Os modernos “eruditos bíblicos” chegam ao cúmulo de afirmar que os apóstolos de Cristo foram tão inspirados como o foram: Sócrates, Platão e Shakespeare, por exemplo. Ora, se os apóstolos do Senhor não tivessem sido realmente inspirados pelo Espírito Santo, eles teriam escrito somente coisas agradáveis aos olhos dos homens, como o faziam os falsos profetas do VT. Mas eles predisseram exatamente o oposto do que os homens gostariam de ler e, por isso, não agradam aos novos líderes da apostasia. A verdade é que esses “operadores do erro” vivem modificando as edições da Bíblia, a fim de agradarem aos pecadores impenitentes e faturarem fortunas, à custa da sua própria perdição e da perdição das ovelhas extraviadas pelas páginas de sua falsa literatura religiosa.

Por acaso, o Apóstolo Paulo falou de algum reavivamento no final dos tempos? Pelo contrário, quando se despediu da Igreja em Éfeso, vejamos o que ele disse, conforme Atos 20:28-29: “Olhai, pois, por vós, e por todo o rebanho sobre que o Espírito Santo vos constituiu bispos, para apascentardes a igreja de Deus, que ele resgatou com seu próprio sangue. Porque eu sei isto que, depois da minha partida, entrarão no meio de vós lobos cruéis, que não pouparão ao rebanho”.

Será que Paulo era um homem pessimista? Claro que não! O Espírito que o inspirou sabia muito bem como seriam deturpados os ensinos de Cristo. Vamos ler algumas outras citações de Paulo:
1 Timóteo 4:1
2 Timóteo 3:1-5
2 Timóteo 4:2-4

É exatamente o que estamos vendo acontecer nas igrejas de hoje: homens - despreparados na sã doutrina - falando coisas agradáveis aos ouvidos dos pecadores, tentando arrebanhar o maior número possível de membros para as suas igrejas apóstatas.

Vamos ler o que Tiago 5:1-6 fala sobre os últimos dias.

O que temos presenciado em nossas cidades e na mídia? Os ricos chorando pelos seus entes amados que são seqüestrados, pagando fortunas pelos resgates; a derrocada financeira de muitos que têm aplicado nas bolsas de valores; a exploração eterna dos ricos pelos pobres; ricos que ficam cada vez mais ricos; a exploração pelos eclesiásticos, nas igrejas, exigindo dízimos e ofertas de suas ovelhas despreparadas na Palavra e, finalmente, o cansaço divino diante de tanta maldade praticada pelos homens... Muitos deles explorando o Nome Santo de Jesus Cristo.

Vamos ler o que diz 2 Pedro 2:1
Também leiamos o que diz a 1 João 2:18
Finalmente, leiamos Judas 1:11

Estes versos de Judas dão uma idéia do que são os atuais ditadores eclesiásticos, ostentando os títulos de pastores, bispos, apóstolos e profetas, reinando nas igrejas modernas.

No Livro do Apocalipse 3:17-18, vemos Jesus falando à Igreja de Laodicéia, que seria a igreja da atualidade.

A igreja emergente, (moderna e “avivada”) nestes dias finais, corrompida pelo sucesso material, pelo seu propósito de riqueza e poder, está se unindo à Igreja de Roma, através do chamado Evangelicalismo (evangelização sem fronteiras denominacionais), do qual Billy Graham é uma das estrelas mais brilhantes, no cenário internacional. Ela vai nos conduzir à apostasia final, à Igreja Mundial do Anticristo. Em geral, esses grandes homens do evangelismo mundial são pessoas excelentes: gentis, amorosas, carismáticas, agradáveis em todos os sentidos como pessoas humanas... PORÉM, pregam um evangelho açucarado, que os apóstolos de Cristo jamais pregaram, pois não estavam interessados em agradar aos homens, mas agradar a Deus.

O dinheiro, a fama e o poder corrompem qualquer ser humano... Por isso quero ficar bem longe do vil metal, para não cair na admoestação de Paulo, contida na 1 Timóteo 6:9-10.

A mesma descrença que existia nos dias de Noé existe agora, e bem mais incrustada nas mentes humanas, pois a Teoria da Evolução veio desacreditar a Bíblia e os líderes modernos já não acreditam na infalibilidade dela. (Meu neto alemão - Gustavo - convertido com o meu ensino bíblico, quando era um garotinho de 8 anos, foi doutrinado - na Alemanha - pelo pastor da Igreja Luterana a não crer na Divindade de Cristo... Hoje, ele é professor de uma escola de dança!).

O mundo inteiro já resvalou na descrença na infalibilidade da Bíblia, a única arma verdadeira e eficaz do cristão. Isso tem acontecido na União Européia, na América do Norte, na América Latina e nos países orientais, onde existem seminários teológicos para os cristãos.

Negar o Nome de Cristo e Sua Divindade acontece hoje, de modo universal e alarmante, dentro da igreja dita cristã. Westcott e Hort, no final do século 19, foram os maiores responsáveis por essa descrença. Adeptos da Teoria da Evolução e simpatizantes do Espiritismo de Kardec, eles criaram o Texto Grego do Novo Testamento, no qual estão embasadas as bíblias modernas. Deste texto, surgiram as edições das bíblias modernas, tipo BLH, NVI, “A Mensagem” e muitas outras, que diluem a Divindade de Cristo, quando não a negam, ostensivamente. A negação do Livro Santo, como Autoridade Divina, tem afastado os cristãos nominais da única fonte de salvação - o Deus bendito eternamente, Cristo Jesus, nosso Salvador eterno!

A rejeição à verdade divina não é novidade. Ela começou com o próprio Satanás pondo em dúvida a Palavra de Deus, conforme Gênesis 3:1: “ORA, a serpente era mais astuta que todas as alimárias do campo que o SENHOR Deus tinha feito. E esta disse à mulher: É assim que Deus disse: Não comereis de toda a árvore do jardim?” [grifos meus]

Assim como o Diabo, os inimigos da Bíblia têm rejeitado a Verdade. São eles: os ateus, os pagãos, os fundadores e membros de seitas e, ultimamente, os que se dizem “líderes cristãos”. A Reforma de Lutero tentou resgatar o amor à leitura do Livro (que a Igreja de Roma havia atirado às fogueiras da Inquisição). Mas, os líderes modernos (unindo-se à grande meretriz romana) estão picotando suas verdades, atirando-as ao lixo e criando suas heresias, em substituição às verdades divinas.

A cristandade, mais preocupada com o sucesso material e as facilidades da moderna tecnologia, está deitada no esplêndido berço da comodidade, desprezando o Nome do Salvador que a resgatou do inferno. Não existe mais uma única universidade dita cristã que respeite cabalmente o Livro. Quem entra em um seminário teológico moderno vai ali aprender que “a Bíblia é um livro como outro qualquer”. Pouquíssimos são os seminários teológicos que ainda pregam a infalibilidade da Bíblia e, mesmo nos educandários fundamentalistas, sempre aparece um professor (apóstolo de Satanás) para promover descrença nos alunos, aconselhando-os a ler autores duvidosos, como Hans Kung, e outros teólogos (católicos e evangélicos), que não acreditam nem pregam a infalibilidade da Bíblia.

O resultado da apostasia, que tem entrado nas igrejas e nos seminários teológicos (com a adoção da psicologia e do mundanismo), é a chegada da NOVA ERA, recebida com aplausos pelos novos líderes mundiais, com as suas doutrinas combinando perfeitamente na busca de “uma igreja perfeita e gloriosa, que vai crescer em espiritualidade, a fim de tornar este planeta dignamente preparado para a Segunda Vinda do Cristo”... o qual, certamente, não será o Cristo da Bíblia, mas o “cristo cósmico”, o “homem do pecado”.

Vamos ler mais alguns versos da Palavra de Deus:
2 Timóteo 2:21
2 Timóteo 3:11-12
Colossenses 3:1-6
2 Coríntios 6:14-18
2 João 9:10

A palavra de ordem dos legítimos apóstolos de Cristo, aqueles que transtornaram o mundo com a VERDADE que liberta do engodo religioso, é esta:

S E P A R A Ç Ã O !!!


Mary Schultze

www.cpr.org.br/Mary.htm

(Trabalho alicerçado na leitura do Sermão do Dr. A. C. Gaebelein, “The Apostasy...” editado pela Foundation Magazine, em março/abril 1997)

terça-feira, janeiro 13, 2009

Crente fica doente?


Crente Fica Doente?
Creio em milagres. Creio que Deus cura hoje em resposta às orações de seu povo. Durante meu ministério pastoral, tenho orado por pessoas doentes que ficaram boas. Contudo, apesar de todas as orações, pedidos e súplicas que os crentes fazem a Deus quando ficam doentes, é um fato inegável que muitos continuam doentes e eventualmente, chegam a morrer acometidos de doenças e males terminais.
Uma breve consulta feita à Capelania Hospitalar de grandes hospitais de algumas capitais do nosso país revela que há números elevados de evangélicos hospitalizados por todos os tipos de doença que acometem as pessoas em geral. A proporção de evangélicos nos hospitais acompanha a proporção de evangélicos no país. As doenças não fazem distinção religiosa.

Para muitos evangélicos, os crentes só adoecem e não são curados porque lhes falta fé em Deus. Todavia, apesar do ensino popular que a fé nos cura de todas as enfermidades, os hospitais e clínicas especializadas estão cheias de evangélicos de todas as denominações – tradicionais, pentecostais e neopentecostais –, sofrendo dos mais diversos tipos de males. Será que poderemos dizer que todos eles – sem exceção – estão ali porque pecaram contra Deus, ficaram vulneráveis aos demônios e não têm fé suficiente para conseguir a cura?

É nesse ponto que muitos evangélicos que adoeceram, ou que têm parentes e amigos evangélicos que adoeceram, entram numa crise de fé. Muitos, decepcionados com a sua falta de melhora, ou com a morte de outros crentes fiéis, passam a não crer mais em nada e abandonam as suas igrejas e o próprio Evangelho. Outros permanecem, mas marcados pela dúvida e incerteza. Eu gostaria de mostrar nesse post, todavia, que mesmo homens de fé podem ficar doentes, conforme a Bíblia e a História nos ensinam.

1. Há diversos exemplos na Bíblia de homens de fé que adoeceram. Ao lermos a Bíblia como um todo, verificamos que homens de Deus, cheios de fé, ficaram doentes e até morreram dessas enfermidades. Um deles foi o próprio profeta Eliseu. A Bíblia diz que ele padeceu de uma enfermidade que finalmente o levou a morte: “Estando Eliseu padecendo da enfermidade de que havia de morrer” (2Re 13.14). Outro, foi Timóteo. Paulo recomendou-lhe um remédio caseiro por causa de problemas estomacais e enfermidades freqüentes: “Não continues a beber somente água; usa um pouco de vinho, por causa do teu estômago e das tuas freqüentes enfermidades” (1Tm 5.23).
Ao final do seu ministério, Paulo registra a doença de um amigo que ele mesmo não conseguiu curar: “Erasto ficou em Corinto. Quanto a Trófimo, deixei-o doente em Mileto” (2Tm 4.20).

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O próprio Paulo padecia do que chamou de “espinho na carne”. Apesar de suas orações e súplicas, Deus não o atendeu, e o apóstolo continuou a padecer desse mal (2Co 12.7-9). Alguns acham que se tratava da mesma enfermidade da qual Paulo padeceu quanto esteve entre os Gálatas: “a minha enfermidade na carne vos foi uma tentação, contudo, não me revelastes desprezo nem desgosto” (Gl 4.14). Alguns acham que era uma doença nos olhos, pois logo em seguida Paulo diz: “dou testemunho de que, se possível fora, teríeis arrancado os próprios olhos para mos dar” (Gl 4.15). Também podemos mencionar Epafrodito, que ficou gravemente doente quando visitou o apóstolo Paulo: “[Epafrodito] estava angustiado porque ouvistes que adoeceu. Com efeito, adoeceu mortalmente; Deus, porém, se compadeceu dele e não somente dele, mas também de mim, para que eu não tivesse tristeza sobre tristeza” (Fp 2.26-27).

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Temos ainda o caso de Jó, que mesmo sendo justo, fiel e temente a Deus, foi afligido durante vários meses por uma enfermidade, que a Bíblia descreve como sendo infligida por Satanás com permissão de Deus: “Então, saiu Satanás da presença do Senhor e feriu a Jó de tumores malignos, desde a planta do pé até ao alto da cabeça. Jó, sentado em cinza, tomou um caco para com ele raspar-se” (Jó 2.7-8). O grande servo de Deus, Isaque, sofria da vista quando envelheceu, a ponto de não saber distinguir entre Jacó e Esaú: “Tendo-se envelhecido Isaque e já não podendo ver, porque os olhos se lhe enfraqueciam” (Gn 27.1). Esses e outros exemplos poderiam ser citados para mostrar que homens de Deus, fiéis e santos, foram vitimados por doenças e enfermidades.

2. O mesmo ocorre na História da Igreja. Nem mesmo cristãos de destaque na história da Igreja escaparam das doenças e dos males. João Calvino era um homem acometido com freqüência de várias enfermidades. Mesmo aqueles que passaram a vida toda defendendo a cura pela fé também sofreram com as doenças. Alguns dos mais famosos acabaram morrendo de doenças e enfermidades. Um deles foi Edward Irving, chamado o pai do movimento carismático. Pregador brilhante, Irving acreditava que Deus estava restaurando na terra os dons apostólicos, inclusive o da cura divina. Ainda jovem, contraiu uma doença fatal. Morreu doente, sozinho, frustrado e decepcionado com Deus.

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Um outro caso conhecido é o de Adoniran Gordon, um dos principais líderes do movimento de cura pela fé do século passado. Gordon morreu de bronquite, apesar da sua fé e da fé de seus amigos. A. B. Simpson, outro líder do movimento da cura pela fé, morreu de paralisia e arteriosclerose. Mais recentemente, morreu John Wimber, vitimado por um câncer de garganta. Wimber foi o fundador da igreja Vineyard Fellowship (“A Comunhão da Vinha ou Videira”) e do movimento moderno de “sinais e prodígios”. Ele, à semelhança de Gordon e Simpson, acreditava que pela fé em Cristo, o crente jamais ficaria doente. Líderes do movimento de cura pela fé no Brasil também têm ficado doentes. Não poucos deles usam óculos, para corrigir defeitos na vista e até têm defeito físico nas mãos.

O meu ponto aqui é que cristãos verdadeiros, pessoas de fé, eventualmente adoeceram e morreram de enfermidades, conforme a Bíblia e a História claramente demonstram. O significado disso é múltiplo, desde o conceito de que as doenças nem sempre representam falta de fé até o fato de que Deus se reserva o direito soberano de curar quem ele quiser.

Augustus Nicodemus Lopes

Publicado originalmente em O Tempora, O Mores!

segunda-feira, janeiro 12, 2009

COMO NASCE UMA HERESIA – III


O melungido
Espero que os exemplos apresentados nesta série de artigos sirvam para alertar o povo de Deus contra a introdução de elementos estranhos ao Evangelho. Tais
elementos surgem ou pelo lançamento amuletos, os quais, dizem, possuem o
poder de gerar prosperidade e neutralizar forças malignas, ou por palavras
proféticas, como por exemplo: “Jesus voltará no ano de 2007, num sábado”. (Hahaha! Não se cumpriu a profetada da Valnice Milhomens – R. Reis)

Além disso, a “confissão positiva”, importada dos Estados Unidos via Kenneth Hagin e outros, tem encontrado guarida em alguns grupos.
No momento, me ocupo em imaginar como surgem as heresias via lançamento de produtos na praça. São tantos que já perdi a conta. A maioria caiu de moda, virou ferro velho, perdeu o poder ou a unção. Como ocorre na economia de mercado, a demanda exige novos lançamentos para que a chama da fé continue acesa. Fico a imaginar a pequenez dessa fé.

Sobre a “barbunção”, meu último lançamento, conforme “Como nasce uma
Heresia – II”, um irmão me escreveu:
“Li a sua matéria e achei interessante...as pessoas facilmente se deixam levar.
Sobre a unção da barba, conheço irmão de determinado ministério que diz não ter unção um presbítero sem bigode”.

Diz também que nesse mesmo ministério ensinam haver certa relação de causa e efeito entre pessoas sem barba e a queda de Adão e Eva.
Vejam que a ficção e a realidade estão muito próximas. É possível que a heresia do jumentinho – cuja figura continua aparecendo nesta série como símbolo de heresia - também já tenha sido lançada. É possível que a de hoje, o “melungido”, esteja no mercado, em algum lugar. Tudo é possível ao homem sem conhecimento da Palavra. Respondi ao dito irmão que chá de capim queimado poderá se transformar numa heresia de sucesso, desde que haja um bom trabalho de convencimento.

Alguém poderia perguntar: “Mas que fazer quando houver um grande número de objetos? Já temos o jumentinho e o broche com a barbicha estilizada. Onde
colocar tanta coisa?” Não se preocupem. Logo mais lançarei a “Arca da
Prosperidade”, onde serão entesourados todos os objetos ungidos. Todavia, hoje pretendo falar sobre as propriedades espirituais do mel. Leiam: “Entre os que de mulher têm nascido, não apareceu ninguém maior do que João o Batista”, disse Jesus (Mt 11.11). E sabe qual era o principal alimento dele? Mel silvestre. Está na Bíblia (Mt 3.4). A Canaã prometida foi a terra da prosperidade porque lá manava leite e mel (Êx 3.8). Mel proporciona saúde, saúde é sinônimo de vida próspera.

Ouça o que Deus diz: “Come mel, meu filho, porque é bom; o favo de mel é doce ao teu paladar” (Pv 24.13). Para o cumprimento dessa palavra, importamos uma tonelada de mel do deserto por onde passou o povo de Deus, sob a liderança de Moisés. Mel puro, mel ungido. Quer ser próspero? Participe da campanha “melungido”. Durante sete sextas-feiras, faremos distribuição de pequena porção de mel aos fiéis. Ao toque da trombeta, todos, de uma só vez, sorverão o mel da prosperidade. A distribuição será gratuita, porém sem sacrifício não há bênçãos. A cada semana, antes de tomar o “melungido”, cada fiel, aquele que realmente crê na providência divina, deverá dar uma oferta de amor à Igreja. Mel sem sacrifício é como o ramo que não dá fruto: só serve para ser lançado fora e ser queimado.

Venha participar dessa grande demonstração de fé. As qualidades terapêuticas do mel são indiscutíveis. E, como vimos, irrefutável seu valor espiritual. O nosso mel é de origem floral, processado pelas abelhas a partir do néctar das flores. O seu valor espiritual é garantido porque todo o estoque foi ungido. Mel sem unção é mel comum. Venha tomar o “melungido” e seja um vencedor. A bênção começará a surgir somente ao fim das sete sextas-feiras. É necessário cumprir as sete semanas para não quebrar a corrente espiritual.

Nota: Esta mensagem é uma ficção. Objetiva mostrar aos desavisados o quanto é fácil criar uma heresia e conseguir muitos seguidores.


Pr. Airton Evangelista da Costa

domingo, janeiro 11, 2009

Perseguição e missão

(Esta é a primeira parte do artigo intitulado Perseguição e missão, escrito por Thomas Schirrmacher para Lausanne World Pulse.)

“O sangue dos mártires é a semente da Igreja”. As famosas palavras de Tertuliano preveniram os imperadores romanos de que a oposição que realizavam apenas aumentaria o tamanho da Igreja.

Quando Jesus advertiu seus discípulos acerca da futura perseguição e profetizou também que ela faria com que eles se tornassem testemunhas (Lc 21.13). Paulo mostrou claramente que sua prisão e sofrimento não impediam a expansão do evangelho, mas promoviam seu crescimento (Fp 1.12-26).

De fato, a primeira perseguição organizada da congregação primitiva em Jerusalém apenas ocasionou a dispersão dos cristãos por todo o Império Romano e o início das missões cristãs aos gentios. Os primeiros gentios converteram-se em Antioquia não por meio dos apóstolos, mas mediante “cristãos leigos” que fugiram de Jerusalém (At 7.54; 8.8).

Durante o Congresso Internacional para a Evangelização Mundial realizado em Lausanne, Suíça, em 1974, foi dito que a “perseguição é uma tempestade permitida para disseminar as sementes da Palavra e espalhar os semeadores e ceifeiros por muitos campos. É o meio de Deus estender seu Reino”.

Então, geralmente, a perseguição acompanha missões, pois “missões levam ao martírio, e o martírio torna-se missões”.*

Jesus advertiu seus discípulos de que eram enviados como cordeiros em meio aos lobos (Mt 10.16; Lc 10.3). A expansão universal da Igreja de Cristo sempre esteve acompanhada do sangue dos mártires. A missão mundial é uma “missão baseada na cruz”.

Johan Candelin justificadamente fez a seguinte observação: “Nem sempre a perseguição produz o crescimento da Igreja, ainda assim, algumas das maiores e mais crescentes igrejas do mundo enfrentam um aumento da perseguição, e estão localizadas em países onde não há liberdade religiosa”.**

De acordo com Candelin, 300 milhões de evangélicos no mundo inteiro vivem sob a ameaça de perseguição física, a maior parte pertence às comunidades evangélicas que crescem com rapidez, por exemplo, as que encontramos na China.

O colapso internacional do comunismo e a queda de muitos ditadores podem ter gerado um abrandamento da perseguição direta em alguns lugares. Entretanto, a expansão dos fundamentalismo islâmico, o crescimento do hinduísmo político e o surgimento de novos ditadores na África são fatores globais que trazem à tona um novo

crescimento nos ataques às igrejas e aos indivíduos cristãos.

Notas *

CAMPENHAUSEN, Hans von. Das Martyrium in der Mission. In: Heinzgünter Frohnes. Ed. Uwe W. Knorr, 71-85. Die Alte Kirche. Kirchengeschichte als Missionsgeschichte 1. Chr. Kai¬ser: München, 1974.** CANDELIN, Joseph. Persecution of Christians Today. In: Konrad-Adenauer-Stiftung (Hg.). Persecution of Christian Today: Christian Life in African, Asian, Near East and Latin American Countries. 16-24, 28 de outubro de 1999 em uma conferência em Berlim.


Sobre o autor

Dr. Thomas Schirrmacher é professor de ética e sociologia da religião na Alemanha e na Turquia. Ele também é presidente do Seminário Teológico Martin Bucer, representante de direitos humanos da Aliança Evangélica Mundial e diretor do Instituto Internacional da Liberdade Religiosa (Bonn, Cidade de Cabo, Colombo).
Schirrmacher tem quatro doutorados (teologia, antropologia cultural, ética, e sociologia da religião).

Tradução: Homero S. Chagas

Fonte: Lausanne World Pulse

sábado, janeiro 10, 2009

Cristianismo Pagão - Ultima Parte

DÍZIMO E SALÁRIOS DO CLERO:
UM PESO NA CARTEIRA


Há dízimo na Bíblia? Sim, o dízimo é bíblico. Mas não é cristão. O dízimo pertence à velha Israel. Foi essencialmente um imposto de renda. No primeiro século, no NT, não há registro de cristãos dizimando.
A maioria dos cristãos não tem a menor idéia do que ensina a Bíblia no que se refere ao dízimo. Senão vejamos. A palavra “dízimo” simplesmente quer dizer a décima parte. .

O Senhor instituiu três classes de dízimos para os Israelitas como parte de seu sistema de impostos. A saber:
Um dízimo do produto da terra para sustentar os levitas, que não tinham herança em Canaã.
Um dízimo do produto da terra para patrocinar festas religiosas em Jerusalém. Se o produto pesasse muito para ser levado a Jerusalém, poderia ser convertido em dinheiro.
Um dízimo do produto da terra arrecadado a cada três anos para os levitas locais, órfãos, estrangeiros e viúvas.
Este foi o dízimo bíblico.(...)
..
Com a morte de Jesus, todos os códigos cerimoniais, governamentais e religiosos que pertenciam aos judeus foram cravados em Sua cruz e enterrados para sempre... Para nunca voltarem a condenar-nos. Por esta razão nunca vemos nenhum cristão no NT dando o dízimo. Da mesma forma que não os vemos sacrificando cabritos e touros para cobrir seus pecados! (...)
...
Dizimar pertence exclusivamente a Israel sob a Lei. No aspecto financeiro vemos os santos do primeiro século dando alegremente de acordo com sua capacidade — não para obedecerem a um mandamento. A oferta na primitiva igreja era voluntária.E os que se beneficiavam disto eram os pobres, órfãos, viúvas, doentes, prisioneiros e estrangeiros. .

Agora mesmo posso ouvir alguém fazer a seguinte objeção: “E quanto a Abraão? Ele viveu antes da Lei. Nós o vemos dizimar ao sumo sacerdote Melchizedek. Isto não destrói seu argumento de que o dízimo é parte da Lei de Moisés?”
Não, não destrói. Primeiramente, o dízimo de Abraão era completamente voluntário. Não obrigatório. Deus não o ordenou como havia feito com o dízimo de Israel.
(...).

Em segundo lugar, Abraão dizimou dos saques que ele havia adquirido depois de alguma batalha. Ele não dizimou de suas rendas nem de sua propriedade. O ato de dizimar de Abraão seria algo parecido com receber uma bonificação no trabalho, uma gratificação de Natal, para depois dizimar.

Em terceiro lugar, e o ponto mais importante, esta foi a única vez que Abraão dizimou em todos os seus 175 anos aqui na terra. Não há evidência de que ele voltou a repetir tal coisa novamente. Conseqüentemente, se você deseja usar Abraão como “texto de prova” para dizer que os cristãos necessitam dizimar, então você é obrigado a dizimar apenas uma vez!.

Isto nos remete ao batido texto citado anteriormente em Malaquias 3. O que disse Deus ali? Primeiramente, esta passagem foi dirigida ao antigo Israel quando este estava sob a Lei Mosaica. O povo de Deus estava retendo seus dízimos e ofertas. Considere o que aconteceria se os estadunidenses recusassem pagar seus impostos sobre suas rendas. A lei americana qualifica isso como um roubo. Os culpados seriam castigados por roubar ao governo..

De igual forma, quando Israel reteve seus dízimos (impostos), Israel estava roubando a Deus — Ele instituiu o sistema do dízimo. Então o Senhor mandou que seu povo trouxesse seus dízimos ao alforge. O alforge era situado nas câmaras do Templo. Esta câmara era separada para receber os dízimos em espécie, não em dinheiro, para o sustento dos Levitas, pobres, estrangeiros e viúvas. .

Note o contexto de Malaquias 3:8-10. No versículo 5 o Senhor diz que Ele julgará os que oprimem as viúvas, os desamparados e os estrangeiros. Ele diz, “Eu Me movimentarei com rapidez para castigar os que praticam bruxaria, os adúlteros, os mentirosos, os que roubam o salário de seus empregados, os que exploram as viúvas e os órfãos, enfim todos os que não Me respeitam”.

As viúvas, os órfãos e os estrangeiros eram os dignos recebedores do dízimo. Por reter os dízimos, Israel foi culpado de oprimir a estes três grupos. É aqui que está o coração de Deus em Malaquias 3:8-10: A opressão aos pobres.
Quantas vezes você ouviu pastores enfatizar este ponto, martelando teus ouvidos com a passagem de Malaquias 3? Das centenas de sermões que eu ouvi sobre dízimo, nenhuma vez escutei nem mesmo um sussurro acerca do que tratava esta passagem. Ou seja, os dízimos eram para sustentar as viúvas, os órfãos, os estrangeiros, e os Levitas, que não tinham qualquer propriedade. É isto o que a Palavra do Senhor tem como objetivo em Malaquias 3. (...) .

A Origem do Dízimo e do Salário do Clero.

Relatar a história do dízimo cristão é um exercício fascinante. O dízimo migrou do Estado para a Igreja. Na Europa Ocidental, exigir o dízimo da produção de alguém era cobrar o aluguel da terra que lhe era dada em arrendamento. Na medida em que a cobrança do aluguel de 10% era entregue à Igreja, esta aumentava sua quantidade de terras ao longo da Europa. Isto resultou em um novo significado relacionado a esta cobrança de 10%. Chegou a ser identificado com o dízimo levítico! Por conseguinte, o dízimo cristão como instituição foi baseado em uma fusão da prática do VT com a instituição pagã..

Pelo século XVIII, o dízimo chegou a ser um requisito legal em muitas áreas da Europa Ocidental. Pelo fim do século X, a diferença do dízimo enquanto imposto de renda e mandamento moral apoiado no Antigo testamento havia desaparecido. O dízimo tornou-se obrigatório ao longo da Europa cristã..

Em outras palavras, antes do século VIII, o dízimo era um ato de oferta voluntária. Mas pelo fim do século X, ele passou a ser uma exigência legal para sustentar a Igreja Estatal — exigida pelo clero e colocada em vigor pelas autoridades seculares!
Felizmente, a maioria das igrejas modernas abandonou a prática do dízimo como uma exigência legal. Mas a prática de dizimar está tão viva hoje como foi durante o tempo em que era um requisito legal. Certamente você não vai ser castigado fisicamente por não dizimar. Mas se você não for dizimista — isto se aplica à maioria das igrejas modernas — você será excluído das posições importantes do ministério. E sempre será culpado e atacado de cima do púlpito!.

Quanto aos salários do clero, os ministros não receberam salários durante os primeiros três séculos. Mas quando Constantino entrou em cena ele instituiu a prática de pagar um salário fixo ao clero dos fundos eclesiásticos e das tesourarias municipais e imperiais. Assim, pois, nasceu o salário do clero, uma prática daninha que não tem precedente no NT.(...)

Raiz de Toda Maldade.

Se um crente deseja dizimar voluntariamente ou com base em uma convicção, não há problema. O dízimo chega a ser um problema quando é apresentado como um mandato de Deus, obrigatório para todo crente..

O dízimo obrigatório representa opressão aos pobres. Não são poucos aqueles que são empurrados para uma pobreza mais profunda porque alguém lhes disse que se não dizimarem estarão roubando a Deus. Quando se ensina o dízimo como um mandato de Deus, os cristãos que têm muita dificuldade econômica para viver, são culpados se não o cumprem e mergulham em uma pobreza maior ao cumpri-lo. Desta maneira, o dízimo esvazia o evangelho enquanto “boas novas aos pobres”. Em vez de boas notícias, o dízimo chega como um fardo. Em vez de liberdade, chega a ser opressão. Esquecemos que o dízimo original que Deus estabeleceu para Israel era para beneficiar aos pobres, não para prejudicá-los!.

Por outro lado, o dízimo moderno é uma boa notícia para o rico. Para uma pessoa com altos rendimentos, 10% é uma soma ínfima. Dizimar, portanto, apazigua a consciência do rico na medida em que não exerce nenhum impacto significante sobre seu estilo de vida. Não são poucos os cristãos ricos que são levados a erroneamente pensar que estão “obedecendo a Deus” pelo fato deles colocarem um mísero 10% de suas rendas no prato da oferta..

Mas Deus tem uma perspectiva bem diferente relacionada ao ato da dádiva. Recorde a parábola das moedas da viúva: “Quando Jesus estava no templo, observava os ricos colocarem suas ofertas na caixa de ofertas. Foi quando uma viúva pobre pôs somente duas moedinhas de cobre. 'Realmente', comentou Ele, 'esta viúva pobre deu mais do que todos os outros juntos. Pois eles deram um pouco do que não precisam, porém ela, pobre como é, deu tudo o que tem’”. .

Lamentavelmente, o dízimo muitas vezes é visto como uma prova definitiva de discipulado. Se você é um bom cristão você dizimará, pelo menos é assim que se pensa. Mas esta é uma falsa premissa. O dízimo não é nenhum sinal de devoção cristã. Se assim fosse, todos os cristãos do século I teriam sido condenados por falta de piedade! .

A raiz persistente detrás do constante empurrão para que as pessoas dizimem na igreja moderna é o salário do clero. Muitos pastores sentem que é necessário pregar o dízimo e lembrar a congregação de sua obrigação de apoiá-lo em seus programas. E eles usam a promessa de uma bênção financeira ou o temor de uma maldição financeira para assegurar que os dízimos continuem sendo arrecadados.

Desta maneira, o dízimo moderno é o equivalente a uma loteria cristã. Pague o dízimo e Deus lhe devolverá mais dinheiro depois. Recuse dar o dízimo e Deus lhe castigará. Tais pensamentos assaltam o cerne das boas novas do evangelho.
Poder-se-ia dizer a mesma coisa quanto ao salário do clero. O qual tampouco tem qualquer mérito. De fato, o salário do clero corre totalmente em sentido oposto ao novo Pacto. Os anciãos (pastores) do primeiro século nunca receberam salários. Eles eram homens com profissões seculares. Eles contribuíam com o rebanho em vez de pegar dinheiro da congregação. (...) .

Embora o dízimo seja bíblico, não é cristão. Jesus Cristo não o afirmou. Os cristãos do século I não o observaram. E por cerca de 300 anos o povo de Deus não o praticou. Dizimar não foi uma prática aceita em grande escala entre os cristãos até o século VIII! .

O ato da oferta no NT era segundo a capacidade de cada um. Os cristãos doavam para ajudar outros tanto como para apoiar obreiros apostólicos, permitindo-lhes viajar e fundar igrejas. Um dos testemunhos da Igreja Primitiva foi o de revelar o quão liberais eram os cristãos com relação aos pobres e necessitados. Foi isto que fez com que gente de fora da igreja, inclusive o filósofo Galen, presenciasse o poder gigantesco e encantador da Igreja Primitiva e dissesse: “Olhe como se amam uns aos outros”. .

O dízimo é mencionado apenas quatro vezes no NT. Mas nenhuma destas quatro ocorrências se refere a cristãos. Definitivamente, o dízimo pertence ao VT onde um sistema de tributação foi estabelecido para apoiar aos pobres e onde havia um sacerdócio especial separado para ministrar ao Senhor. Com a vinda de Jesus Cristo, houve uma “mudança na lei” — o antigo acordo foi “cancelado” e “posto de lado” dando lugar a um novo. .

Agora, todos somos sacerdotes — livres para funcionar na casa de Deus. A Lei, o velho sacerdócio, o dízimo, todos foram crucificados. Agora não há cortina do templo, nem imposto do templo, e não há um sacerdócio especial que se coloca entre Deus e o homem. Você, querido cristão, foi libertado da atadura do dízimo e da obrigação de apoiar o sistema do clero. (...)

O Último Desafio .

Alguém disse uma vez, “Talvez não haja nada pior do que alcançar o último degrau de uma escada e descobrir que subimos pela parede errada”.Após ler este livro, você deverá identificar-se com esta declaração. Nesse sentido terminarei lançando um desafio direto ao seu coração. .

Você aprendeu que as práticas da igreja que você acreditava serem bíblicas não têm qualquer base nas Escrituras. Você descobriu a origem destas práticas. Você sabe que elas não tiveram origem em Deus, mas em homens — a maioria dessas práticas vieram do paganismo. E você sabe que elas frustram o propósito final de Deus para com a Sua Igreja. E você sabe que elas frustram o propósito final de Deus para com a Sua Igreja. Você também se deu conta de que dependeu desesperadamente destas tradições inúteis e de que foi até mesmo atrapalhado por elas. .

Diante do exposto, eu pergunto: Você vai continuar praticando tais tradições ou as abandonará? Você vai continuar praticando o que você sabe estar em desacordo com os desígnios de Deus? .

Você vai imprudentemente ignorar o que leu neste livro concernente às suas práticas na igreja? Ou será fiel aos fins absolutos da luz dentro de você, abandonando completamente a tradição do homem para seguir a plenitude de Cristo e Sua Igreja?
Após receber a luz que lhe foi dada, você continuará a sustentar invenções religiosas em detrimento da inspirada revelação de Deus? Ou você dará atenção à luz que está dentro de você? .

Você abandonará a igreja institucional que abraça práticas que violam o NT ou “invalidará a Palavra de Deus por amor às suas tradições? — que continuam amarrando uma grande pedra em torno da cintura da Igreja de Jesus Cristo?
Continuará a fazer sacrifícios na cidade de Faraó? Ou irá até a fronteira, sondar o terreno, e tomar uma atitude?

A história mostra onde a consciência e a tradição se chocam, a maioria do povo de Deus vai atrás da tradição. Agora mesmo, a questão primordial é...
Qual atitude você vai tomar?.

Cristianismo Pagão - Frank Viola

quinta-feira, janeiro 08, 2009

COMO NASCE UMA HERESIA – II

Barbunção
O jumentinho voou nas asas da internet e aterrissou em lugares distantes. Tão
próxima da realidade ficou a ficção, que dos Estados Unidos um pastor, perplexo, me perguntou se realmente eu acreditava no amuleto do jumentinho, como meio de adquirir prosperidade. Outro pastor, aqui do Brasil, pediu-me perdão por haver entendido que eu virara heresiarca. E teve um que me pediu permissão para usar o exemplo em aulas de hermenêutica.

Como não fizera nenhum preâmbulo, pois iniciei o artigo com a pregação do
suposto pregador, e levando em conta que somente nas duas últimas linhas disse que se tratava de uma ilustração, compreende-se a perplexidade de alguns. Mais de uma vez tive de dizer: Eu, heresiarca? Jamais.

Como vimos no exemplo do jumentinho, as heresias não raro vêm associadas a
algum relato bíblico. No caso em tela, recorri à figura do “bode emissário”. Tenho plena convicção de que essa heresia seria bem recebida se apresentada por um líder carismático.

Não se pode descartar a possibilidade de existir algum interessado, a matutar com seus botões: “Sabe que é uma boa idéia!? Como não pensei nisso antes!?”. Um bem-humorado irmão me alertou sobre um possível plágio; a idéia poderia ser roubada. Ora, patentear uma heresia para evitar cópia seria um caso único na história das religiões, além de muito curioso. Eu não faria tal coisa. Os
heresiólogos ficariam atônitos sem saber como explicar tal fenômeno.
Apenas imaginei como as heresias surgem. Determinados grupos usam
pirâmides, cristais, símbolos, pulseiras, figas e penduricalhos diversos. Com
engenho e arte é possível conseguir uma razoável diversificação na produção de novos amuletos.

O interesse de um professor em usar o exemplo do jumentinho em aulas de
hermenêutica, animou-me a continuar dando outros exemplos, utilizando somente emblemas bíblicos. O objetivo é alertar crentes e não crentes contra a palavra enganosa. Vejamos mais um exemplo de “como nasce uma heresia”.
Está escrito na Bíblia: “Oh! quão bom e quão suave é que os irmãos vivam em
união. É como o óleo precioso sobre a cabeça,que desce sobre a barba, a barba
de Arão, e que desce à orla das suas vestes” (Salmo 133.1-2). Além disso, Deus
ordena que os homens não danifiquem “as extremidades da barba” (Lv 19.26).
Fazendo a vontade do Criador, os anciães de antigamente conservavam barbas
bem compridas. A queda de Adão e Eva levou os homens a serem desobedientes.

Por isso, se apresentam hoje de cara lisa, imberbes, sem nenhum temor a Deus. Voltar à austeridade dos velhos tempos é um imperativo divino. Num sonho que tive, um velhinho de barbas brancas como a neve se aproximou de mim e disse: “Deixai crescer a barba, nem que seja apenas simbólica. Você é o meu mensageiro. Entrego-lhe a responsabilidade de avivar a minha Igreja. Não temas, eu estarei sempre com você”. Fiquei trêmulo e quase desmaio.

Daí porque, meus fiéis seguidores, vocês deverão doravante usar uma barba
simbólica. Uma barbicha ficará muito bem. O prazo para a formação da barbicha será de trinta dias, ao fim dos quais vocês se apresentarão no templo para receberem a unção da barba, a barbunção. Sete gotas de óleo ungido serão derramadas sobre cada barbicha. A partir daí, a unção será renovada a cada trinta dias. Como está dito no Salmo 133, a barbicha será símbolo de união entre os irmãos.

As mulheres estão dispensadas dessa obrigação por óbvias razões. Todavia,
deverão ostentar um broche com uma barbicha estilizada, símbolo de união
conjugal estável. Vocês sabem que a união faz a força e a força produz
prosperidade. Todos devem atender ao chamado de Deus, sob pena de serem
atacados por gafanhotos devoradores que devorarão seus bens, suas rendas, sua paz.

Colocaremos cem mil broches à disposição das mulheres que nunca negaram sua fé. Não será desta vez que negarão a Cristo. Esses símbolos podem ser
adquiridos pelo preço simbólico de cinqüenta reais. Os broches folheados a ouro custarão de quinhentos a mil reais. Qualquer sacrifício é válido para ganharmos a vida eterna.

Pr. Airton Evangelista da Costa

terça-feira, janeiro 06, 2009

A Igreja ao Gosto do Freguês


O movimento chamado "igreja ao gosto do freguês" está invadindo muitas denominações evangélicas, propondo evangelizar através da aplicação das últimas técnicas de marketing. Tipicamente, ele começa pesquisando os não-crentes (que um dos seus líderes chama de "desigrejados" ou "João e Maria desigrejados"). A pesquisa questiona os que não freqüentam quaisquer igrejas sobre o tipo de atração que os motivaria a assistir às reuniões. Os resultados do questionário mostram as mudanças que poderiam ser feitas nos cultos e em outros programas para atrair os "desigrejados", mantê-los na igreja e ganhá-los para Cristo. Os que desenvolvem esse método garantem o crescimento das igrejas que seguirem cuidadosamente suas diretrizes aprovadas. Praticamente falando, dá certo!

Duas igrejas são consideradas modelos desse movimento: Willow Creek Community Church (perto de Chicago), pastoreada por Bill Hybels, e Saddleback Valley Church (ao sul de Los Angeles) pastoreada por Rick Warren. Sua influência é inacreditável. Willow Creek formou sua própria associação de igrejas, com 9.500 igrejas-membros. Em 2003, 100.000 líderes de igrejas assistiram no mínimo a uma conferência para líderes realizada por Willow Creek. Acima de 250.000 pastores e líderes de mais de 125 países participaram do seminário de Rick Warren ("Uma Igreja com Propósitos"). Mais de 60 mil pastores recebem seu boletim semanal.
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Visitamos Willow Creek há algum tempo. Pareceu-nos que essa igreja não poupa despesas em sua missão de atrair as massas. Depois de passar por cisnes deslizando sobre um lago cristalino, vê-se o que poderia ser confundido com a sede de uma corporação ou um shopping center de alto padrão. Ao lado do templo existe uma grande livraria e uma enorme área de alimentação completa, que oferece cinco cardápios diferentes. Uma tela panorâmica permite aos que não conseguiram lugar no santuário ou que estão na praça de alimentação assistirem aos cultos. O templo é espaçoso e moderno, equipado com três grandes telões e os mais modernos sistemas de som e iluminação para a apresentação de peças de teatro e musicais.

Sem dúvida, Willow Creek é imponente, mas não é a única megaigreja que tem como alvo alcançar os perdidos através dos mais variados métodos. Megaigrejas através dos EUA adicionam salas de boliche, quadras de basquete, salões de ginástica e sauna, espaços para guardar equipamentos, auditórios para concertos e produções teatrais, franquias do McDonalds, tudo para o progresso do Evangelho. Pelo menos é o que dizem. Ainda que algumas igrejas estejam lotadas, sua freqüência não é o único elemento que avaliamos ao analisar essa última moda de "fazer igreja".

O alvo declarado dessas igrejas é alcançar os perdidos, o que é bíblico e digno de louvor. Mas o mesmo não pode ser dito quanto aos métodos usados para alcançar esse alvo. Vamos começar pelo marketing como uma tática para alcançar os perdidos. Fundamentalmente, marketing traça o perfil dos consumidores, descobre suas necessidades e projeta o produto (ou imagem a ser vendida) de tal forma que venha ao encontro dos desejos do consumidor. O resultado esperado é que o consumidor compre o produto. George Barna, a quem a revista Christianity Today (Cristianismo Hoje) chama de "o guru do crescimento da igreja", diz que tais métodos são essenciais para a igreja de nossa sociedade consumista. Líderes evangélicos do movimento de crescimento da igreja reforçam a idéia de que o método de marketing pode ser aplicado – e eles o têm aplicado – sem comprometer o Evangelho. Será?

Em primeiro lugar o Evangelho, e mais significativamente a pessoa de Jesus Cristo, não cabem em nenhuma estratégia de mercado. Não são produtos a serem vendidos. Não podem ser modificados ou adaptados para satisfazer as necessidades de nossa sociedade consumista. Qualquer tentativa nessa direção compromete de algum modo a verdade sobre quem é Cristo e do que Ele fez por nós. Por exemplo, se os perdidos são considerados consumidores, e um mandamento básico de marketing diz que o freguês sempre tem razão, então qualquer coisa que ofenda os perdidos deve ser deixada de lado, modificada ou apresentada como sem importância. A Escritura nos diz claramente que a mensagem da cruz é "loucura para os que se perdem" e que Cristo é uma "pedra de tropeço e rocha de ofensa" (1 Co 1.18 e 1 Pe 2.8).

Algumas igrejas voltadas ao consumidor procuram evitar esse aspecto negativo do Evangelho de Cristo enfatizando os benefícios temporais de ser cristão e colocando a pessoa do consumidor como seu principal ponto de interesse. Mesmo que essa abordagem apele para a nossa geração acostumada à gratificação imediata, ela não é o Evangelho verdadeiro nem o alvo de vida do crente em Cristo.
Em segundo lugar, se você quiser atrair os perdidos oferecendo o que possa interessá-los, na maior parte do tempo estará apelando para seu lado carnal. Querendo ou não, esse parece ser o modus operandi dessas igrejas. Elas copiam o que é popular em nossa cultura – músicas das paradas de sucesso, produções teatrais, apresentações estimulantes de multimídia e mensagens positivas que não ultrapassam os trinta minutos. Essas mensagens freqüentemente são tópicas, terapêuticas, com ênfase na realização pessoal, salientando o que o Senhor pode oferecer, o que a pessoa necessita – e ajudando-a na solução de seus problemas.

Essas questões podem não importar a um número cada vez maior de pastores evangélicos, mas, ironicamente, estão se tornando evidentes para alguns observadores seculares. Em seu livro The Little Church Went to Market (A Igrejinha foi ao Mercado), o pastor Gary Gilley observa que o periódico de marketing American Demographics reconhece que as pessoas estão:

...procurando espiritualidade, não a religião. Por trás dessa mudança está a procura por uma fé experimental, uma religião do coração, não da cabeça. É uma expressão de religiosidade que não dá valor à doutrina, ao dogma, e faz experiências diretamente com a divindade, seja esta chamada "Espírito Santo" ou "Consciência Cósmica" ou o "Verdadeiro Eu". É pragmática e individual, mais centrada em redução de stress do que em salvação, mais terapêutica do que teológica. Fala sobre sentir-se bem, não sobre ser bom. É centrada no corpo e na alma e não no espírito. Alguns gurus do marketing começaram a chamar esse movimento de "indústria da experiência" (pp. 20-21).

Existe outro item que muitos pastores parecem estar deixando de considerar em seu entusiasmo de promover o crescimento da igreja atraindo os não-salvos. Mesmo que os números pareçam falar mais alto nessas "igrejas ao gosto do freguês" (um número surpreendente de igrejas nos EUA (841) alcançaram a categoria de megaigreja, com 2.000 a 25.000 pessoas presentes nos finais de semana), poucos perceberam que o aumento no número de membros não se deve a um grande número de "desigrejados" juntando-se à igreja.

Durante os últimos 70 anos, a percentagem da população dos EUA que vai à igreja tem sido relativamente constante (mais ou menos 43%). Houve um crescimento, chegando a 49% em 1991 (no tempo do surgimento dessa nova modalidade de igreja), mas tal crescimento diminuiu gradualmente, retornando a 42% em 2002 (www.barna.org). De onde, então, essas megaigrejas, que têm se esforçado para acomodar pessoas que nunca se interessaram pelo Evangelho, conseguem seus membros? Na maior parte, de igrejas menores que não estão interessadas ou não têm condições financeiras de propiciar tais atrações mundanas. O que dizer das multidões de "desigrejados" que supostamente se chegaram a essas igrejas? Essas pessoas constituem uma parcela muito pequena das congregações. G.A. Pritchard estudou Willow Creek por um ano e escreveu um livro intitulado Willow Creek Seeker Services (Baker Book House, 1996). Nesse livro ele estima que os "desigrejados", que seriam o público-alvo, constituem somente 10 ou 15% dos 16.000 membros que freqüentam os cultos de Willow Creek.

Se essa percentagem é típica entre igrejas "ao gosto do freguês", o que provavelmente é o caso, então a situação é bastante perturbadora. Milhares de igrejas nos EUA e em outros países se reestruturaram completamente, transformando-se em centros de atração para "desigrejados". Isso, aliás, não é bíblico. A igreja é para a maturidade e crescimento dos santos, que saem pelo mundo para alcançar os perdidos. Contudo, essas igrejas voltaram-se para o entretenimento e a conveniência na tentativa de atrair "João e Maria", fazendo-os sentirem-se confortáveis no ambiente da igreja. Para que eles continuem freqüentando a "igreja ao gosto do freguês", evita-se o ensino profundo das Escrituras em favor de mensagens positivas, destinadas a fazer as pessoas sentirem-se bem consigo mesmas. À medida que "João e Maria" continuarem freqüentando a igreja, irão assimilar apenas uma vaga alusão ao ensino bíblico que poderá trazer convicção de pecado e verdadeiro arrependimento. O que é ainda pior, os novos membros recebem uma visão psicologizada de si mesmos que deprecia essas verdades. Contudo, por pior que seja a situação, o problema não termina por aí.

A maior parte dos que freqüentam as "igrejas ao gosto do freguês" professam ser cristãos. No entanto, eles foram atraídos a essas igrejas pelas mesmas coisas que atraíram os não-crentes, e continuam sendo alimentados pela mesma dieta biblicamente anêmica, inicialmente elaborada para não-cristãos. Na melhor das hipóteses, eles recebem leite aguado; na pior das hipóteses, "alimento" contaminado com "falatórios inúteis e profanos e as contradições do saber, como falsamente lhe chamam" (2 Tm 6.20). Certamente uma igreja pode crescer numericamente seguindo esses moldes, mas não espiritualmente.

Além do mais, não há oportunidades para os crentes crescerem na fé e tornarem-se maduros em tal ambiente. Tentando defender a "igreja ao gosto do freguês", alguns têm argumentado que os cultos durante a semana são separados para discipulado e para o estudo profundo das Escrituras. Se esse é o caso, trata-se de uma rara exceção e não da regra!

Como já notamos, a maioria dessas igrejas, no uso do seu tempo, energia e finanças tem como alvo acomodar os "desigrejados". Conseqüentemente, semana após semana, o total da congregação recebe uma mensagem diluída e requentada. Então, na quarta-feira, quando a congregação usualmente se reduz a um quarto ou a um terço do tamanho normal, será que esse pequeno grupo recebe alimentação sólida da Palavra de Deus, ensino expositivo e uma ênfase na sã doutrina? Dificilmente. Nunca encontramos uma "igreja ao gosto do freguês" onde isso acontecesse. As "refeições espirituais" oferecidas nos cultos durante a semana geralmente são reuniões de grupos e aulas visando o discernimento dos dons espirituais, ou o estudo de um "best-seller" psico-cristão, ao invés do estudo da Bíblia.

Talvez o aspecto mais negativo dessas igrejas seja sua tentativa de impressionar os "desigrejados" ao mencionar especialistas considerados autoridades em resolver todos os problemas mentais, emocionais e comportamentais das pessoas: psicólogos e psicanalistas. Nada na história da Igreja tem diminuído tanto a verdade da suficiência da Palavra de Deus no tocante a "todas as coisas que conduzem à vida e à piedade" (2 Pe 1.3) como a introdução da pseudociência da psicoterapia no meio cristão. Seus milhares de conceitos e centenas de metodologias não-comprovados são contraditórios e não científicos, totalmente não-bíblicos, como já documentamos em nossos livros e artigos anteriores. Pritchard observa:

...em Willow Creek, Hybels não somente ensina princípios psicológicos, mas freqüentemente usa esses mesmos princípios como guias interpretativos para sua exegese das Escrituras – o rei Davi teve uma crise de identidade, o apóstolo Paulo encorajou Timóteo a fazer análise e Pedro teve problemas em estabelecer seus limites. O ponto crítico é que princípios psicológicos são constantemente adicionados ao ensino de Hybels" (p. 156).

Durante minha visita a Willow Creek, o pastor Hybels trouxe uma mensagem que começou com as Escrituras e se referia aos problemas que surgem quando as pessoas mentem. Contudo, ele se apoiou no psiquiatra M. Scott Peck, o autor de The Road Less Travelled (Simon & Schuster, 1978) quanto às conseqüências desastrosas da mentira. Nesse livro, M. Scott Peck declara (pp. 269-70): "Deus quer que nos tornemos como Ele mesmo (ou Ela mesma)"!

A Saddleback Community Church está igualmente envolvida com a psicoterapia. Apesar de se dizer cristocêntrica e não centrada na psicologia, essa igreja tem um dos maiores números de centros dos Alcoólicos Anônimos e patrocina mais de uma dúzia de grupos de ajuda como "Filhos Adultos Co-Dependentes de Viciados em Drogas", "Mulheres Co-Viciadas Casadas com Homens Compulsivos Sexuais ou com Desordens de Alimentação" e daí por diante. Cada grupo é normalmente liderado por alguém "em recuperação" e os autores dos livros usados incluem psicólogos e psiquiatras (www.celebraterecovery.com). Apesar de negar o uso de psicologia popular, muito dela permeia o trabalho de Rick Warren, incluindo seu best-seller The Purpose Driven Life (A Vida Com Propósito), que já rendeu sete milhões de dólares. Em sua maior parte, o livro fala de satisfação pessoal, promove a celebração da recuperação e está cheio de psicoreferências tais como "Sansão era dependente".

A mensagem principal vinda das igrejas psicologicamente motivadas de Willow Creek e Saddleback é a de que a Palavra de Deus e o poder do Espírito Santo são insuficientes para livrar uma pessoa de um pecado habitual e para transformá-la em alguém cuja vida seja cheia de fruto e agradável a Deus. Entretanto, o que essas igrejas dizem e fazem tem sido exportado para centenas de milhares de igrejas ao redor do mundo.

Grande parte da igreja evangélica desenvolveu uma mentalidade de viagem de recreio em um cruzeiro cheio de atrações, mas isso vai resultar num "Titanic espiritual". Os pastores de "igrejas ao gosto do freguês" (e aqueles que estão desejando viajar ao lado deles) precisam cair de joelhos e ler as palavras de Jesus aos membros da igreja de Laodicéia (Ap 3.14-21). Eles eram "ricos e abastados" e, no entanto, deixaram de reconhecer que aos olhos de Deus eram "infelizes, miseráveis, pobres, cegos e nus". Jesus, fora da porta dessas igrejas, onde O colocaram desapercebidamente, oferece Seu conselho, a verdade da Sua Palavra, o único meio que pode fazer com que suas vidas sejam vividas conforme Sua vontade. Não pode existir nada melhor aqui na terra e na Eternidade!
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T. A. McMahon

domingo, janeiro 04, 2009

Cristianismo Pagão - Parte 5

O PASTOR

Ele é a figura fundamental da fé protestante. Ele é o chefe da cozinha, o cozinheiro e o lavador de pratos do cristianismo de hoje. O pastor é tão predominante nas mentes da maioria dos cristãos que, na realidade, ele é mais bem conhecido, mais louvado, mas mais confiado do que o próprio Jesus Cristo!

Remova o pastor e o moderno cristianismo entra em colapso. Remova o pastor e cada igreja protestante virtualmente entrará em pânico. Remova o pastor e o protestantismo como o conhecemos morre. O pastor é o ponto focal dominante, a base e a peça central da moderna igreja. Ele incorpora o cristianismo protestante.

Mas há aqui uma profunda ironia. Não há um só versículo em todo NT que apóie a existência do moderno pastor dos nossos dias! Ele simplesmente nunca existiu na igreja primitiva.
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(Note que eu utilizo o termo “pastor” ao longo deste capítulo para descrever o moderno ofício e papel que ele desempenha. Eu não me refiro ao indivíduo específico que exerce este papel. Aqueles que exercem o ofício de pastor são pessoas maravilhosas. Eles são honrados, decentes e muitas vezes cristãos dedicados que amam a Deus, zelosos em servir Seu povo. Mas é ao papel que eles estão cumprindo que a Bíblia e a história da igreja se opõem. (...)

E ele deu alguns como Apóstolos, alguns como profetas, alguns como evangelistas e alguns como PASTORES e professores (Efésios 4:11, NASB), [ênfase minha].

Pode-se fazer as seguintes observações acerca deste texto.

Este é o único versículo no NT onde a palavra “pastor” é usada. Um verso solitário é uma peça sumamente escassa de prova para dependurar toda a fé protestante! Aliás, há mais autoridade bíblica no ato de pegar serpentes com as mãos do que na posição de pastor. (Marcos 16:18 e Atos 28:3-6 mencionam as serpentes. Então pegar serpentes com as mãos ganha com dois versos contra um).

A palavra é usada no plural, ou seja, “pastores”. Isto é significativo. Sejam lá quais forem estes “pastores”, eles são plurais na igreja, não singulares. Assim, pois, não há qualquer suporte bíblico para a prática do Sola Pastora (pastor único).

A palavra grega traduzida por “pastores” é poimen que significa pastores. ("Pastor” é a palavra latina para aquele que pastoreia). Portanto, “Pastor” é uma metáfora que descreve uma função específica na igreja. Não é uma profissão nem um cargo. Um pastor do século I nada tem a ver com o sentido especializado e profissional que veio a ter na moderna cristandade. Assim, pois, Efésios 4:11 não se refere a um cargo pastoral, mas meramente a uma das muitas funções na igreja. Pastores são aqueles que naturalmente provêem nutrição e cuidado às ovelhas de Deus. Porém, é um profundo erro confundir pastores com um ofício ou título como comumente se concebe hoje. (...)

Donde você supõe que os cristãos adquiriram seu padrão de ordenação? Eles copiaram sua cerimônia de ordenação do costume romano de designar homens ao serviço civil. Todo o processo, cada palavra, saiu diretamente do mundo cívico romano. (...)

A moderna prática da ordenação cria uma casta especial de cristão. Seja ele sacerdote no catolicismo ou pastor no protestantismo, o resultado é o mesmo: O ministério mais importante restringe-se a uns poucos crentes “especiais”.
Tal idéia é tão daninha quanto antibíblica. Em nenhum lugar do NT a pregação, o batismo ou a distribuição da Ceia do Senhor restringe-se aos “ordenados”. O eminente erudito James D. G. Dunn esclarece melhor este ponto quando diz que a tradição clero-leigo contribuiu mais para minar a autoridade do NT do que a maioria das heresias!

Na medida em que alguém poderia desempenhar certa função na igreja através do rito da ordenação, o poder de ordenar passou a constituir o ponto chave no que diz respeito à autoridade religiosa. O contexto bíblico se perdeu. E passou-se a utilizar métodos de comprovar textos para justificar a hierarquia clero-leigo. O crente comum, geralmente inculto e ignorante, ficou a mercê do clero profissional! (...)

Embora os reformadores se opusessem ao Papa e sua hierarquia religiosa, eles fizeram vista grossa com respeito ao ministério que eles herdaram. Eles acreditavam que o “ministério” era uma instituição restrita àqueles poucos que foram “chamados” e “ordenados”. Assim, pois, os reformadores reafirmaram a divisão clero-leigo. Apenas na retórica os reformadores ensinavam que todos os crentes eram sacerdotes e ministros, na prática o negaram. Pois quando toda fumaça da reforma se dissipou, nos deparamos com a mesma coisa que os católicos nos deram — um sacerdócio seletivo! (...)

Em poucas palavras, a reforma protestante foi um golpe no sacerdotalismo católico romano. Mas não foi um golpe mortal, pois os reformadores preservaram a regra do Bispo único. Este simplesmente passou por uma mudança semântica. O pastor agora exercia o papel do Bispo. Ele chegou a ser conhecido como a cabeça da igreja local — como o principal ancião. Como disse certo escritor, “no Protestantismo, o pregador tende a ser porta-voz e representante da igreja, e a igreja muitas vezes é a igreja do pastor. Este é o grande perigo e a grande ameaça à religião cristã, a incoerência clerical”. (...)

O moderno pastor prejudica não apenas o povo de Deus, ele prejudica a si mesmo. A posição de pastor de uma forma ou de outra atrofia os que assumem essa função. As freqüentes depressões, vazio, estresse, e o desequilíbrio emocional são terrivelmente constantes entre os pastores. Nesse momento há mais de 500 mil pastores servindo nas igrejas nos Estados Unidos.

Deste grande número, considere a seguinte estatística que revela o perigo mortal da posição de pastor:

94 % sentem-se pressionados a ter uma família ideal.
90 % trabalham mais de 46 horas por semana.
81 % reportam uma insuficiência de tempo com seu cônjuge.
80 % crêem que o ministério pastoral prejudica a família.
70 % não têm o que se considera um amigo íntimo.
70 % têm menos auto-estima agora do que tinham quando entraram no ministério.
50 % sentem-se incapazes de cumprir as necessidades de sua posição.
80 % estão desanimados ou tratando de uma depressão.
40 % reportam sofrer pela timidez, horários frenéticos e falsas expectativas.
33 % consideram o ministério pastoral um perigo para a família.
33 % consideraram renunciar suas posições durante o último ano.
40 % das renúncias pastorais devem-se ao vácuo (a chama se apagou).


Espera-se que a maioria dos pastores exerça 16 tarefas simultâneas. E a maioria acaba pulverizada pelas pressões. Por esta razão, mensalmente, 1.600 ministros entre todas as denominações nos Estados Unidos são demitidos ou são forçados a renunciar. Durante os últimos 20 anos a média do pastoreado reduziu de sete para pouco mais de dois anos! (...)

O pastor moderno é o elemento mais inquestionado no cristianismo moderno. Mesmo assim ele não tem uma única linha nas Escrituras que justifique sua existência, nem uma folha de figueira para cobri-lo!

Assim, o pastor moderno nasceu da regra do bispado único engendrado por Inácio e Cipriano. O Bispo transformou-se em presbítero local. Na Idade Média o presbítero se converteu em sacerdote católico. Durante a Reforma ele foi transformado em “pregador”, “ministro”, e finalmente em “pastor” — o homem sobre o qual se dependura todo Protestantismo. Em suma: O pastor protestante é nada mais que um sacerdote católico um pouco reformado!

O sacerdote católico tinha sete ofícios durante o tempo da Reforma: Pregar, ministrar sacramentos, rezar pelo rebanho, vida santa, disciplina, ritos da igreja, apoiar pobres e visitar enfermos. O pastor protestante além de assumir todas estas responsabilidades — eventualmente também abençoava eventos cívicos.

O famoso poeta John Milton foi bem preciso quando disse: “O moderno presbítero não é outra coisa senão o velho sacerdote!” Outra versão disso seria: O pastor moderno não é outra coisa senão o velho sacerdote! (...)

Cristianismo Pagão - Frank Viola

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