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segunda-feira, novembro 29, 2010

Universidade Mackenzie: Em defesa da liberdade de expressão religiosa


A Universidade Presbiteriana Mackenzie vem recebendo ataques e críticas por um texto alegadamente “homofóbico” veiculado em seu site desde 2007. Nós, de várias denominações cristãs, vimos prestar solidariedade à instituição. Nós nos levantamos contra o uso indiscriminado do termo “homofobia”, que pretende aplicar-se tanto a assassinos, agressores e discriminadores de homossexuais quanto a líderes religiosos cristãos que, à luz da Escritura Sagrada, consideram a homossexualidade um pecado. Ora, nossa liberdade de consciência e de expressão não nos pode ser negada, nem confundida com violência. Consideramos que mencionar pecados para chamar os homens a um arrependimento voluntário é parte integrante do anúncio do Evangelho de Jesus Cristo. Nenhum discurso de ódio pode se calcar na pregação do amor e da graça de Deus.

Como cristãos, temos o mandato bíblico de oferecer o Evangelho da salvação a todas as pessoas. Jesus Cristo morreu para salvar e reconciliar o ser humano com Deus. Cremos, de acordo com as Escrituras, que “todos pecaram e carecem da glória de Deus” (Romanos 3.23). Somos pecadores, todos nós. Não existe uma divisão entre “pecadores” e “não-pecadores”. A Bíblia apresenta longas listas de pecado e informa que sem o perdão de Deus o homem está perdido e condenado. Sabemos que são pecado: “prostituição, impureza, lascívia, idolatria, feitiçaria, inimizades, contendas, rivalidades, iras, pelejas, dissensões, heresias, invejas, homicídios, bebedices, glutonarias” (Gálatas 5.19). Em sua interpretação tradicional e histórica, as Escrituras judaico-cristãs tratam da conduta homossexual como um pecado, como demonstram os textos de Levítico 18.22, 1Coríntios 6.9-10, Romanos 1.18-32, entre outros. Se queremos o arrependimento e a conversão do perdido, precisamos nomear também esse pecado. Não desejamos mudança de comportamento por força de lei, mas sim, a conversão do coração. E a conversão do coração não passa por pressão externa, mas pela ação graciosa e persuasiva do Espírito Santo de Deus, que, como ensinou o Senhor Jesus Cristo, convence “do pecado, da justiça e do juízo” (João 16.8).

Queremos assim nos certificar de que a eventual aprovação de leis chamadas anti-homofobia não nos impedirá de estender esse convite livremente a todos, um convite que também pode ser recusado. Não somos a favor de nenhum tipo de lei que proíba a conduta homossexual; da mesma forma, somos contrários a qualquer lei que atente contra um princípio caro à sociedade brasileira: a liberdade de consciência. A Constituição Federal (artigo 5º) assegura que “todos são iguais perante a lei”, “estipula ser inviolável a liberdade de consciência e de crença” e “estipula que ninguém será privado de direitos por motivo de crença religiosa ou de convicção filosófica ou política”. Também nos opomos a qualquer força exterior – intimidação, ameaças, agressões verbais e físicas – que vise à mudança de mentalidades. Não aceitamos que a criminalização da opinião seja um instrumento válido para transformações sociais, pois, além de inconstitucional, fomenta uma indesejável onda de autoritarismo, ferindo as bases da democracia. Assim como não buscamos reprimir a conduta homossexual por esses meios coercivos, não queremos que os mesmos meios sejam utilizados para que deixemos de pregar o que cremos. Queremos manter nossa liberdade de anunciar o arrependimento e o perdão de Deus publicamente. Queremos sustentar nosso direito de abrir instituições de ensino confessionais, que reflitam a cosmovisão cristã. Queremos garantir que a comunidade religiosa possa exprimir-se sobre todos os assuntos importantes para a sociedade.

Manifestamos, portanto, nosso total apoio ao pronunciamento da Igreja Presbiteriana do Brasil publicado no ano de 2007 [LINK http://www.ipb.org.br/noticias/noticia_inteligente.php3?id=808] e reproduzido parcialmente, também em 2007, no site da Universidade Presbiteriana Mackenzie, por seu chanceler, Reverendo Dr. Augustus Nicodemus Gomes Lopes. Se ativistas homossexuais pretendem criminalizar a postura da Universidade Presbiteriana Mackenzie, devem se preparar para confrontar igualmente a Igreja Presbiteriana do Brasil, as igrejas evangélicas de todo o país, a Igreja Católica Apostólica Romana, a Congregação Judaica do Brasil e, em última instância, censurar as próprias Escrituras judaico-cristãs. Indivíduos, grupos religiosos e instituições têm o direito garantido por lei de expressar sua confessionalidade e sua consciência sujeitas à Palavra de Deus. Postamo-nos firmemente para que essa liberdade não nos seja tirada.

Este manifesto é uma criação coletiva com vistas a representar o pensamento cristão brasileiro. Para ampla divulgação.

segunda-feira, janeiro 19, 2009

Nao existem bencaos automaticas geradas pela perseguicao

(Esta é a terceira parte do artigo intitulado Perseguição e missão, escrito por Thomas Schirrmacher para Lausanne World Pulse. Leia a primeira parte:
http://tempodejabuticaba.blogspot.com/2009/01/perseguio-e-misso.html)

Em nenhum lugar os cristãos serão encorajados a buscar a perseguição ou o martírio. Nem a perseguição, automaticamente, levará a igreja a crescer ou a alcançar uma fé mais forte e pura. Esse é o contraste com aqueles que justificam sua autodestruição (como os homens-bomba) com base na crença religiosa.

A experiência da Igreja alemã sob o Terceiro Reich e sob o comunismo não a levou a uma reflexão mais intensa sobre a perseguição e nem a um reavivamento ou crescimento da Igreja. Mesmo quando a perseguição é proveitosa, seu resultado nunca é automático; ao contrário, sempre se dá devido à soberana graça de Deus.
A parábola de Jesus a respeito do semeador (Mt 13.3-8,20-22) identifica a riqueza e o egoísmo como fatores tão perigosos à fé quanto a perseguição e a opressão.

Os cristãos ocidentais tendem a exaltar a perseguição e os cristãos sob perseguição tendem a exaltar a liberdade e a riqueza. A fé de um sofre com a perseguição e a opressão, a do outro é sufocada pelas preocupações do mundo e pelo engano da riqueza. Mais ainda, no ocidente, a perseguição vem de formas mais ampla do que o abuso físico. Dessa maneira, os cristãos são perseguidos no trabalho por manter valores cristãos, os que tomam posição contra o secularismo se expõem ao ridículo e ao abuso.

A Igreja é chamada para ajudar e apoiar tais cristãos, assim como aqueles que claramente têm sofrido oposição física.

É um fato infeliz da história eclesiástica que a perseguição possa também gerar conflitos e divisão entre os cristãos.

Um terrível exemplo contemporâneo, que pode muito bem mostrar isso, aconteceu na Coréia, quando os governadores japoneses (1910-1945) exigiram que todos os coreanos se prostrassem diante de um santuário Shinto para honrar o imperador japonês e o deus sol.

Depois de muita resistência, em 1937 e 1938, a maior parte dos grupos cristãos se rendeu à intolerante e crescente coerção, mas estavam grandemente divididos (principalmente os presbiterianos) no que dizia respeito ao significado da cerimônia exigida: era um rito religioso ou apenas uma formalidade cultural? Sessenta anos depois, o problema ainda permanece sem resolução, e a brecha é ainda evidente, mesmo que o fator original tenha ocorrido há tanto tempo.

Sobre o autor

Dr. Thomas Schirrmacher é professor de ética e sociologia da religião na Alemanha e na Turquia. Ele também é presidente do Seminário Teológico Martin Bucer, representante de direitos humanos da Aliança Evangélica Mundial e diretor do Instituto Internacional da Liberdade Religiosa (Bonn, Cidade de Cabo, Colombo). Schirrmacher tem quatro doutorados (teologia, antropologia cultural, ética, e sociologia da religião).

Tradução: Homero S. Chagas

Fonte:
Lausanne World Pulse

sábado, janeiro 17, 2009

Missões entre perseguidores

(Esta é a segunda parte do artigo intitulado Perseguição e missão, escrito por Thomas Schirrmacher para Lausanne World Pulse. Leia a primeira parte: http://tempodejabuticaba.blogspot.com/2009/01/perseguio-e-misso.html)

Seguindo a tradição velho-testamentária (por exemplo, Jó 31.29; 42.8-9), o Novo Testamento nos exorta a pedir a graça de Deus sobre os perseguidores e a testemunhar a eles (Mt 5.44, Lc 6.27-28; 1Co 4.12).

O testemunho mais impressionante foi a oração de Jesus quando disse que Deus terá misericórdia de seus perseguidores (Lc 23.34). O primeiro mártir cristão, Estevão, orou de maneira parecida (At 7.60). Ambos pedidos foram atendidos, já que alguns dos perseguidores mais tarde se converteram (por exemplo, o centurião romano em Lc 23.47 ou Paulo em At 9.1-18).

A história da igreja está cheia de relatos de cristãos martirizados como Policarpo (conhecido porque orou por aqueles que o torturaram).

A Igreja contemporânea tem também seus próprios exemplos. Em 1913, o evangelista indonésio Petrus Octavianus relatou a história de um missionário da região de Toradya, no sudeste de Java. Cinco membros de uma tribo queriam matar o missionário, mas permitiram-lhe que orasse antes por eles. Ele orou em alta voz, pedindo que fossem salvos.

Três deles foram banidos para Java, converteram-se na prisão, e retornaram para Toradya, onde fundaram uma igreja que mais tarde, em 1971, tornou-se a quarta maior da Indonésia.

Não nos esqueçamos dos cinco missionários martirizados no Equador pelos aucas na década de 1960. Muitos dos assassinos tornaram-se anos depois os pilares da Igreja entre os aucas.

Muitos perseguidores de cristãos tornaram-se, tempos depois, cristãos. O mais conhecido deles é Paulo. Ele freqüentemente referia-se à perseguição que perpetrara conta a Igreja (1Co 15.9; Gl 1.13; 23.24; Fp 3.6; 1Tm 1.13; At 9.4-5; 22.4,7-8; 16.11, 14-15).

Jesus, missões e perseguição

Falar de Jesus é falar de missões, sofrimento e perseguição. A profecia de sua morte acompanha inteiramente seu ministério na Terra (Mt 10.17-19; 16.21; 17.22-23; 26.2).

Os detalhes da narrativa da Paixão ocupam as maiores seções dos evangelhos. Paulo consistentemente apresentou Jesus como o mártir arquétipo e como exemplo para todos os cristãos. Desse modo, não é de se surpreender que os escritos da igreja primitiva a respeito do martírio consideravam Jesus como o protótipo do mártir.
Jesus é o verdadeiro objeto de toda perseguição. Por essa razão, Jesus pergunta a Saulo: “Saulo, Saulo, por que me persegue?” (At 9.4; 22.7; 26.14), e se identifica como “Jesus, a quem você persegue” (At 8; 9.5,22; 26.15).

A verdadeira razão para o sofrimento dos cristãos é Cristo, já que é o foco nele que justifica a oposição. Martinho Lutero disse certa vez: “Quanto mais claramente a Igreja reconhecer Cristo e testificar a respeito dele, mais certo se tornará o fato de que ela encontrará contradição, confrontação e ódio do anticristo”.

O próprio Jesus freqüentemente lembrava seus discípulos de que seriam perseguidos por sua crença enquanto pregassem o evangelho (Mt 10.22; 16.25; Lc 21.12).
Sem a ofensa da cruz, não haveria missões, mas também não haveria perseguição (Gl 5.11). Paulo acusou seus adversários de serem circuncidados apenas para escapar da perseguição (Gl 6.12,14). De fato, a palavra da cruz é loucura para os que não crêem (1Co 1.18), impedimento para os judeus, e tolice para os gentios (1Co 1.23).

Entretanto, é também o centro da história da salvação (1Co 1.23, 2.2). Dessa forma, a mensagem da cruz é a glória do evangelho, assim como sua loucura (1Co 1.17-25; Gl 6.11-14).

O Espírito Santo, verdadeiro missionário, e a perseguição

Sem o Espírito Santo, todas as missões são fúteis e não servem para nada. Então, como missões e perseguição estão intimamente relacionadas, o Espírito Santo também possui um papel vital na experiência com a perseguição.

Ele é o “Consolador” (Jo 16.16,26) e dá aos cristãos a força para enfrentar a perseguição e a alegria para regozijar nas condições mais difíceis (1Pe 4.14). O espírito da glória, que repousou sobre o Messias (Is 11.2) traz sua glória a todos que aparentemente perderam-na, como Estevão, descrito por Lucas como aquele que “estava cheio do Espírito Santo” ([At 7.55) durante sua defesa e execução, e como aquele que viu a glória de Deus no céu.

Jesus prometeu sabedoria aos perseguidos quando estivessem diante de juízes e necessitassem testemunhar. O Espírito Santo, de fato, os instruiriam naquilo que tivessem de falar (Lc 21.12-15; Mt 10.19-20).

William Carl Weinrich* observa que raramente Jesus falou da função do Espírito Santo, entretanto, quando o fez, descreveu-o como o Auxiliador e Consolador em meio à perseguição (Mt 10.17-20; Mc 13.9-11; Lc 21.12-19). Não é de se estranhar que Paulo atribuía sua perseverança ao Espírito Santo (2Co 6.6; Fp 1.19; 1 Ts 1.6-7).
A Igreja primitiva era constantemente advertida de que somente o Espírito de Deus poderia dar sabedoria e força aos perseguidos para que resistissem.

Notas
3. Konrad-Adenauer-Stiftung: Berlin. 1981. Spirit and Martyrdom. Washington D.C.: University Press of America.

Sobre o autor

Dr. Thomas Schirrmacher é professor de ética e sociologia da religião na Alemanha e na Turquia. Ele também é presidente do Seminário Teológico Martin Bucer, representante de direitos humanos da Aliança Evangélica Mundial e diretor do Instituto Internacional da Liberdade Religiosa (Bonn, Cidade de Cabo, Colombo). Schirrmacher tem quatro doutorados (teologia, antropologia cultural, ética, e sociologia da religião).

Tradução: Homero S. Chagas

Fonte:
Lausanne World Pulse

domingo, janeiro 11, 2009

Perseguição e missão

(Esta é a primeira parte do artigo intitulado Perseguição e missão, escrito por Thomas Schirrmacher para Lausanne World Pulse.)

“O sangue dos mártires é a semente da Igreja”. As famosas palavras de Tertuliano preveniram os imperadores romanos de que a oposição que realizavam apenas aumentaria o tamanho da Igreja.

Quando Jesus advertiu seus discípulos acerca da futura perseguição e profetizou também que ela faria com que eles se tornassem testemunhas (Lc 21.13). Paulo mostrou claramente que sua prisão e sofrimento não impediam a expansão do evangelho, mas promoviam seu crescimento (Fp 1.12-26).

De fato, a primeira perseguição organizada da congregação primitiva em Jerusalém apenas ocasionou a dispersão dos cristãos por todo o Império Romano e o início das missões cristãs aos gentios. Os primeiros gentios converteram-se em Antioquia não por meio dos apóstolos, mas mediante “cristãos leigos” que fugiram de Jerusalém (At 7.54; 8.8).

Durante o Congresso Internacional para a Evangelização Mundial realizado em Lausanne, Suíça, em 1974, foi dito que a “perseguição é uma tempestade permitida para disseminar as sementes da Palavra e espalhar os semeadores e ceifeiros por muitos campos. É o meio de Deus estender seu Reino”.

Então, geralmente, a perseguição acompanha missões, pois “missões levam ao martírio, e o martírio torna-se missões”.*

Jesus advertiu seus discípulos de que eram enviados como cordeiros em meio aos lobos (Mt 10.16; Lc 10.3). A expansão universal da Igreja de Cristo sempre esteve acompanhada do sangue dos mártires. A missão mundial é uma “missão baseada na cruz”.

Johan Candelin justificadamente fez a seguinte observação: “Nem sempre a perseguição produz o crescimento da Igreja, ainda assim, algumas das maiores e mais crescentes igrejas do mundo enfrentam um aumento da perseguição, e estão localizadas em países onde não há liberdade religiosa”.**

De acordo com Candelin, 300 milhões de evangélicos no mundo inteiro vivem sob a ameaça de perseguição física, a maior parte pertence às comunidades evangélicas que crescem com rapidez, por exemplo, as que encontramos na China.

O colapso internacional do comunismo e a queda de muitos ditadores podem ter gerado um abrandamento da perseguição direta em alguns lugares. Entretanto, a expansão dos fundamentalismo islâmico, o crescimento do hinduísmo político e o surgimento de novos ditadores na África são fatores globais que trazem à tona um novo

crescimento nos ataques às igrejas e aos indivíduos cristãos.

Notas *

CAMPENHAUSEN, Hans von. Das Martyrium in der Mission. In: Heinzgünter Frohnes. Ed. Uwe W. Knorr, 71-85. Die Alte Kirche. Kirchengeschichte als Missionsgeschichte 1. Chr. Kai¬ser: München, 1974.** CANDELIN, Joseph. Persecution of Christians Today. In: Konrad-Adenauer-Stiftung (Hg.). Persecution of Christian Today: Christian Life in African, Asian, Near East and Latin American Countries. 16-24, 28 de outubro de 1999 em uma conferência em Berlim.


Sobre o autor

Dr. Thomas Schirrmacher é professor de ética e sociologia da religião na Alemanha e na Turquia. Ele também é presidente do Seminário Teológico Martin Bucer, representante de direitos humanos da Aliança Evangélica Mundial e diretor do Instituto Internacional da Liberdade Religiosa (Bonn, Cidade de Cabo, Colombo).
Schirrmacher tem quatro doutorados (teologia, antropologia cultural, ética, e sociologia da religião).

Tradução: Homero S. Chagas

Fonte: Lausanne World Pulse

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